Introdução
Conforme se se pode apreender de uma meticulosa averiguação exegética-hermenêutica neotestamentária (canônica), a “ekklésia” – em seus alvores - não dispunha de um específico “modus operandi” no que toca à “liturgia” ou “culto” (gr.: λειτουργία). Aliás, a aplicação da expressão “liturgia” (em sua rigorosa acepção etimológica), distancia-se consideravelmente daquilo a que se propunham os primitivos adeptos cristãos em suas habituais reuniões.
Derivando-se dos radicais “leit” (de “laós”, povo) e “urgía” (trabalho, ofício), indica serviço ou trabalho público. Por extensão, passou a referir-se (entre os helênicos) ao ofício religioso, considerando-se que segundo o contexto vigente, as práticas rituais encontravam-se investidas de um caráter eminentemente PÚBLICO. Já a Versão Septuaginta (LXX) restringe o vocábulo “liturgia” apenas ao Sacerdócio Levítico (veterotestamentário), evidenciando assim, que o Novo Pacto prevê (entre outras coisas) a imediata supressão do cerimonialismo cultual compulsório. A formalização litúrgico-ritualistica ulteriormente desenvolvida e oficialmente instituída (“Celebração da Missa” / Ritos Latino e Oriental) situa-se num nível cronologicamente tardio e doutrinariamente questionável (Período Pós-apostólico). Assim respaldada, manifesta-se a Congregação Cristã quanto ao aparato ritualístico veterotestamentário e sua flagrante transitoriedade (1947: Doutrinas: Das Leis Civil, Moral e Cerimonial).

Sumo Sacerdote judeu
ministrando no “Santo dos Santos”
Dos “Atos dos Apóstolos”, o primeiro “tratado” ou esboço propriamente histórico acerca do Cristianismo primevo e seu inicial desenvolvimento - bem como de algumas Epístolas Paulinas e Gerais - podemos inferir que as primitivas reuniões cristãs consistiam basicamente em orações e cânticos, sendo estes últimos individualmente entoados ou “à moda” congregacional (em uníssono). Atribuindo-se especial ênfase aos salmos e as escritos proféticos, os referidos cânticos remetiam-se à figura do Messias e alegorias correlatas ao mesmo. Eruditos e especialistas diversos, sugerem que o construto poeticamente descrito em I Timóteo 3:16 aluda a um primitivo fragmento hinológico.
Facultava-se ainda a comedida expressão dos chamados “karismas” (gr.: “dons”). Em algumas “ekklésias”, tais como Corinto, a recorrência aos “karismas”, veio a exceder-se sobremaneira, razão pela qual Paulo reiteradamente a admoesta. Além de tais elementos (orações e cânticos), há de se supor que as leituras e explanações bíblicas constituíssem o âmago de toda convocação regularmente presidida. Deve-se ainda ressaltar os eventuais relatos ou narrativas concernentes à conversões, empreendimentos evangelísticos e miraculosos feitos (o protótipo do vulgo “testemunho”).
Conjecturas à parte, sabe-se que algo constituia uma “regra áurea” segundo a concepção eclesiológica paulina, a ORDEM. Assim, em sua Epístola endereçada à primitiva “ekklésia” coríntia, Paulo estabelece o princípio da “Decência e Ordem”, como perpétuo e irrevogável parâmetro, indistintamente aplicado a todo ato realizado sob a chancela da Graça. (I Cor. 14:40). Ademais, o “culto” em sua essência, processa-se racionalmente ( Gr.: “LOGIKÊN LATREIAN” – Romanos: 12:1)
Quanto ao “partir do pão” (gr. transl.: “klasei tou artou”), seja como “ágape” informal (e culturalmente comum à cultura meso-oriental e/ou greco-romana), ou propriamente a Refeição Memorial (“Santa Ceia”), não se deve concebê-lo como parte integrante do “culto” originalmente apostólico.
Já Calvino, reformista e um dos precursores do atual presbiterianismo, postulava um regresso as origens cristãs apostólicas, nas quais a leitura e exposição bíblicas caracterizavam-se como o clímax (ou ponto de convergência) em todo o “culto” neotestamentário. Disto temos, a clássica frase: “Quatro paredes e um sermão”, aludindo-se ao despojamento e pragmatismo cultual calvinista. Em contrapartida, o luteranismo veio a preservar algumas traços comuns a tradicional “liturgia” medievalesca.

Culto
(Modalidade Litúrgica Luterana)
Congregação Cristã e Culto
Ora, considerando-se que as primitivas comunidades cristãs – em suas corriqueiras reuniões congregacionais – abstinham-se de uma modalidade “ipsis litteris” “litúrgica” (e, semelhantemente, seus históricos depositários (Valdenses Remanescentes), pareceu adequado à Congregação Cristã contemporânea primar por sua inalterância.
Assim, deliberou-se (em concomitância com a experiência demonstrada) que o “Serviço de Culto” oficialmente aceito, limitar-se-ia basicamente, a preces sucintas, além dos usuais cânticos ou hinos. Reservando-se, ainda, um breve período para a exposição de relatos, bem como a transmissão de comunicados. O ponto culminante, todavia, consistiria na leitura e explanação dos Sagrados Textos. Isso tudo, primando-se pela erradicação do formalismo cultual, não obstante, tenha-se como necessário “arremate” a DECÊNCIA e a ORDEM (segundo a admoestação paulina). Por conta disso, manifestações paralelas como a glossolalia, profecias e congêneres, encontram-se ”sob condição”. Convencionalismos gestuais, como palmas (aplausos) ou expressões corporais difusas são evitados. Desta feita, a “metodologia litúrgica” oficialmente adotada pela Congregação Cristã a distingue significativamente dos segmentos ou vertentes ditos “pentecostais”. Ainda, no que respeita à ORDEM, observa-se uma proporcional distribuição de seu membros no interior de seus recintos (“casas de oração”), de modo a compor duas ”alas” ou blocos: homens e mulheres em espaços distintos (antecedentes valdenses).
Culto
(Modalidade litúrgica ”pentecostal”)
O presente “formato litúrgico” tornou-se o protótipo para todos os demais eventos realizados, adaptando-os, porém, às suas respectivas finalidades. Deste modo, nos Serviços Sacros para Batismos, suprime-se o momento destinado aos “testemunhos” e, assim sucessivamente.
A seguir, uma sequencial descrição da estrutura “litúrgica” universalmente aplicada pela Congregação Cristã em suas reuniões e eventos afins:
I – Abertura – após uma aclamação coletiva (geralmente “Deus Seja Louvado / Amém!”) o presidente declara aberto o presente serviço “Em Nome do Senhor Jesus” (Colossenses 3, 17).
II – Hino Inicial (ou de Abertura)
III – Hino Intermediário
IV – Hino Pré-Oração Inicial
V – Oração Inicial (Súplica ou Petição)
VI – Momento reservado aos “Testemunhos” (relatos e narrativas alusivos a conversão, intervenções miraculosas e/ou transmissão de saudações – quando provenientes de congregações co-irmãs).
VII – Hino alusivo à Palavra (Leitura e Exortação)
VIII – Comunicados – espaço destinado a avisos e diversos (sendo, sob condição, suprimido, quando assim determinado pelo presidente)
IX – Leitura do texto bíblico e sua posterior explanação (a critério do presidente local, ou dos demais membros do Corpo Ministerial presentes – não havendo prévia determinação homilética).
X – Oração de Encerramento (Ação de Graças).
XI – Hino de Encerramento / Hino Final
XII – “Benção Apostólica” / Saudações finais.

Serviço de Culto / Congregação Cristã
Temos assim, um panorama ou “esquematização” não pormenorizados do “Culto Cristão”, segundo os princípios e práticas regularmente aceitos pela Congregação Cristã e sua singular ortodoxia.
Rico e exelente artigo!
O que sempre falo, quando nescessário, é que precisa entender todo um contexto histórico e cultural para a compreensão dos fatos. Digo isto, em função das constantes críticas a Congregação Cristã, pelo seu culto “diferenciado”, ou pela rejeição da taxação “pentecostal”.
Parabéns pelo texto.
Se puder, de uma passada no meu blog:
italo-brasileiro.blogspot.com
Faça sugestões para meu pequeno blog.
Abraços
Por: Ricardo Oliveira em 12 12UTC fevereiro 12UTC 2010
às 5:40 pm
Quanto ao culto da Congregação, nos chama a atenção justamente o jeito que o Espírito de Deus guia o culto. Muitos chamam de seita, mas digo que é um culto em que a testemunhança fala aos nossos corações, uma só oração que sobe pra abertura e a igreja fica clamando para que o Senhor receba a oração, a palavra não vem esboçada. O pão vem fresco e não requentado. Por isso digo que a Congregação é uma igreja excelente.
Alexandre Rodrigues – Diác. da Assembleia de Deus
Por: Alexandre Rodrigues em 16 16UTC abril 16UTC 2010
às 2:03 pm