Publicado por: ekklesiachristiana | 23 23UTC outubro 23UTC 2009

Congregação Cristã e Liturgia: o culto cristão

 

Introdução

Conforme  se se pode  apreender de uma meticulosa averiguação exegética-hermenêutica neotestamentária (canônica), a  “ekklésia” –  em seus alvores -  não dispunha de um específico “modus operandi”  no que toca  à “liturgia” ou “culto” (gr.: λειτουργία). Aliás, a aplicação da expressão “liturgia” (em sua rigorosa acepção etimológica), distancia-se consideravelmente daquilo a que se propunham os primitivos adeptos cristãos em suas habituais reuniões.

Derivando-se dos radicais “leit” (de “laós”, povo) e “urgía” (trabalho, ofício), indica serviço ou trabalho público. Por extensão, passou a referir-se (entre os helênicos) ao ofício religioso, considerando-se que segundo o contexto vigente, as práticas rituais encontravam-se investidas de um caráter eminentemente PÚBLICO. Já a Versão Septuaginta (LXX)  restringe o vocábulo “liturgia” apenas ao Sacerdócio Levítico (veterotestamentário), evidenciando assim, que o Novo Pacto prevê (entre outras coisas) a imediata supressão do cerimonialismo cultual compulsório. A formalização litúrgico-ritualistica ulteriormente  desenvolvida e oficialmente instituída  (“Celebração da Missa” / Ritos Latino e Oriental)   situa-se num nível cronologicamente tardio e doutrinariamente questionável  (Período Pós-apostólico).  Assim respaldada, manifesta-se a Congregação Cristã quanto ao aparato ritualístico veterotestamentário e sua flagrante transitoriedade (1947:  Doutrinas: Das Leis Civil, Moral e Cerimonial).

 

sacerdote levita

 Sumo Sacerdote judeu

ministrando no “Santo dos Santos”

 

Dos “Atos dos Apóstolos”, o primeiro “tratado” ou esboço propriamente histórico acerca do Cristianismo primevo e seu inicial desenvolvimento  -  bem como de algumas Epístolas Paulinas e Gerais - podemos inferir que as primitivas reuniões cristãs consistiam basicamente em orações e cânticos, sendo estes últimos individualmente entoados ou “à moda” congregacional (em uníssono). Atribuindo-se especial ênfase aos salmos e  as escritos proféticos, os referidos cânticos  remetiam-se  à figura do Messias e alegorias correlatas ao mesmo. Eruditos e  especialistas diversos, sugerem  que o construto poeticamente descrito em I Timóteo 3:16  aluda a um  primitivo fragmento hinológico.

Facultava-se ainda a comedida expressão dos chamados “karismas” (gr.: “dons”). Em algumas “ekklésias”, tais como Corinto, a recorrência aos “karismas”,  veio a  exceder-se sobremaneira, razão pela qual Paulo reiteradamente a admoesta. Além de tais elementos (orações e cânticos), há de se supor que as leituras e explanações bíblicas constituíssem o âmago de toda convocação regularmente presidida.  Deve-se ainda ressaltar os eventuais relatos ou narrativas  concernentes à conversões, empreendimentos evangelísticos e miraculosos feitos (o protótipo do vulgo “testemunho”).

 Conjecturas à parte, sabe-se que algo constituia uma “regra áurea” segundo a concepção eclesiológica paulina, a  ORDEM. Assim, em sua Epístola endereçada à primitiva “ekklésia” coríntia, Paulo estabelece o princípio da “Decência e Ordem”, como perpétuo e irrevogável parâmetro, indistintamente aplicado a todo ato realizado sob a chancela da Graça. (I Cor. 14:40). Ademais, o “culto” em sua essência, processa-se racionalmente ( Gr.: “LOGIKÊN LATREIAN” – Romanos: 12:1)

 Quanto ao “partir do pão” (gr. transl.: “klasei tou artou”), seja como “ágape” informal (e culturalmente comum à cultura meso-oriental e/ou greco-romana), ou propriamente a Refeição Memorial (“Santa Ceia”), não se deve concebê-lo como parte integrante do “culto” originalmente apostólico.

 Já  Calvino, reformista e um dos precursores do atual presbiterianismo, postulava um regresso as origens cristãs apostólicas, nas quais a leitura e exposição bíblicas caracterizavam-se como o clímax  (ou ponto de convergência) em todo  o “culto” neotestamentário. Disto temos,  a clássica frase: “Quatro paredes e um sermão”, aludindo-se ao despojamento e pragmatismo cultual calvinista. Em contrapartida, o luteranismo veio a preservar algumas traços comuns a  tradicional “liturgia” medievalesca.

 

 

Culto Luterano

Culto

(Modalidade Litúrgica  Luterana)

 

Congregação Cristã  e  Culto

 

Ora, considerando-se que  as primitivas comunidades cristãs – em suas corriqueiras reuniões congregacionais – abstinham-se  de uma modalidade “ipsis litteris” “litúrgica” (e, semelhantemente, seus históricos depositários  (Valdenses Remanescentes), pareceu adequado à Congregação Cristã contemporânea primar por sua inalterância.

Assim, deliberou-se (em concomitância com a experiência demonstrada) que o “Serviço de Culto” oficialmente aceito, limitar-se-ia basicamente, a preces sucintas, além dos usuais cânticos ou hinos. Reservando-se, ainda, um breve período para a exposição de relatos, bem como a transmissão de comunicados. O ponto culminante, todavia, consistiria na leitura e explanação dos  Sagrados Textos. Isso tudo, primando-se pela erradicação do formalismo cultual, não obstante, tenha-se como necessário “arremate” a DECÊNCIA e a ORDEM (segundo a admoestação paulina). Por conta disso, manifestações paralelas como a glossolalia, profecias e congêneres, encontram-se ”sob condição”. Convencionalismos gestuais, como palmas (aplausos) ou  expressões corporais difusas são evitados. Desta feita, a “metodologia litúrgica”  oficialmente adotada pela Congregação Cristã  a distingue significativamente dos  segmentos ou vertentes ditos “pentecostais”. Ainda, no que respeita à ORDEM, observa-se  uma proporcional distribuição de seu membros no interior de seus recintos (“casas de oração”), de modo a compor duas ”alas” ou blocos: homens e mulheres em espaços distintos (antecedentes valdenses).

 

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Culto

(Modalidade litúrgica ”pentecostal”)

 

O presente “formato litúrgico” tornou-se o protótipo para todos os demais eventos realizados, adaptando-os, porém, às suas respectivas finalidades. Deste modo, nos Serviços Sacros para Batismos, suprime-se o momento destinado aos “testemunhos” e, assim sucessivamente.

 

A seguir, uma sequencial descrição da estrutura  “litúrgica” universalmente aplicada pela Congregação Cristã em suas reuniões e eventos afins:

 

I – Abertura – após uma aclamação coletiva (geralmente “Deus Seja Louvado / Amém!”) o presidente declara aberto o presente serviço “Em Nome do Senhor Jesus” (Colossenses 3, 17).

II – Hino Inicial (ou de Abertura)

III – Hino Intermediário

IV – Hino Pré-Oração Inicial

V – Oração Inicial (Súplica ou Petição)

VI – Momento reservado aos “Testemunhos” (relatos e narrativas alusivos a conversão, intervenções miraculosas e/ou transmissão de saudações – quando provenientes de congregações co-irmãs).

VII – Hino alusivo à Palavra (Leitura e Exortação)

VIII – Comunicados – espaço destinado a avisos e diversos (sendo, sob condição, suprimido, quando assim determinado pelo presidente)

IX – Leitura do texto bíblico e sua posterior explanação (a critério do presidente local, ou dos demais membros do Corpo Ministerial presentes – não havendo prévia determinação homilética).

X – Oração de Encerramento (Ação de Graças).

XI – Hino de Encerramento / Hino Final

XII – “Benção Apostólica” / Saudações finais.

 

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Serviço de Culto / Congregação Cristã

 

Temos assim, um panorama  ou “esquematização” não pormenorizados do “Culto Cristão”, segundo os princípios e práticas regularmente aceitos pela  Congregação Cristã e sua singular ortodoxia.

 

 

 


Respostas

  1. Rico e exelente artigo!
    O que sempre falo, quando nescessário, é que precisa entender todo um contexto histórico e cultural para a compreensão dos fatos. Digo isto, em função das constantes críticas a Congregação Cristã, pelo seu culto “diferenciado”, ou pela rejeição da taxação “pentecostal”.
    Parabéns pelo texto.
    Se puder, de uma passada no meu blog:
    italo-brasileiro.blogspot.com

    Faça sugestões para meu pequeno blog.

    Abraços

  2. Quanto ao culto da Congregação, nos chama a atenção justamente o jeito que o Espírito de Deus guia o culto. Muitos chamam de seita, mas digo que é um culto em que a testemunhança fala aos nossos corações, uma só oração que sobe pra abertura e a igreja fica clamando para que o Senhor receba a oração, a palavra não vem esboçada. O pão vem fresco e não requentado. Por isso digo que a Congregação é uma igreja excelente.

    Alexandre Rodrigues – Diác. da Assembleia de Deus


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