Introdução
Nos derradeiros anos (sobretudo em razão de seu primeiro centenário 1910-2010), muito se tem especulado – e não raro hipotetizado – acerca da Congregação Cristã e suas origens. Evidentemente, que a temática em pauta requer uma magistral perícia e habilidade, haja vista, serem raros os subsídios disponíveis para que se possa levar tal empreitada à cabo. Contudo, a isenção axiológica e o empenho nos podem conduzir a um excelente termo. Peça imprescindivel para a compreensão deste intricado quebra-cabeças, diz respeito a seu pioneiro, Ancião Louis Francescon. Oriundo da península itálica, rendeu-se ao Evangelho em terras norte-americanas (sob a “tutela” da Alleanza Cristiana e Missionária), dando origem, posteriormente, a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago em parceria com seus correligionários VALDENSES… A este ponto, devemos nos ater com absoluta precisão. Quem eram, afinal os “valdenses”? Façamos um breve retrospecto a fim de pormenorizar tal questão.
Embora estreitamente aparentados com os albigenses, sua origem parece aludir a um período deveras remoto. Quanto a designação (“Valdenses”), por um lado deriva-se do personagem Pedro (de) Valdo ( ? – 1217 / Lion , França), a quem coube atribuir ao movimento maior realce e expansão. Outros, porém, associam a nomenclatura ao francês “vallois” (habitantes dos vales) – aliás, mencionada em escritos anteriores a Pedro. A antigüidade do referido segmento é testemunhada por diversas fontes, tanto internas como externas ao movimento, e também, em face de algumas idiossincrasias comuns ao seu “ethos”. Rainero (O inquisidor), falecido no ano de 1259, relata:
“Entre todas estas seitas… a dos “leonistas” (leia-se Valdenses).. é aquela que por mais tempo tem existido, pois alguns afirmam perdurar desde os idos de Silvestre ( O Papa / 314-335), outros, dos Dias Apostólicos”.
Marco Aurelio Rorenco, pároco de São Roque em Turin, em sua narrativa e história dos mesmos, declara que os adeptos Valdenses são tão remotos em sua origem que não se pode precisar a datação de seu surgimento. Outrossim, os próprios integrantes valdenses testificam de seus primórdios como contemporâneos a Estirpe Apostólica.

Pedro Valdo
Outra evidencia “em prol” de sua antigüidade é a sua relativa ausência de antagonismo para a cristandade convencional, diversamente de outras vertentes (incluindo-se os albigenses) que dela separaram-se em resistência aos seus desvarios. Os Valdenses, por seu turno, caracterizavam-se por um posicionamento sensivelmente mais tolerante, visto admitirem o fato de que muitos daqueles ainda subordinados ao sistema Clerical Apóstata, dispunham de notáveis princípios. Assim, futuramente, quando de suas negociações junto aos Reformadores, mostraram-se afeitos ao que nestes havia de originalmente cristão, a que os demais opuseram em totalidade. Guillermo Farell (reformador suíço) lamenta-se, por exemplo, acerca da serenidade valdense ante o catolicismo romano, não compreendendo, todavia, as causas de semelhante postura. Disto depreende-se, que a conduta Valdense frente os seus opositores consistia mais, em indiferença, que proprioamente hostilidade…
Em verdade, embora seja impossível precisar o seus primeiros passos, é provável que consistissem (em seu núcleo inicial) num remanescente daqueles, que havendo rejeitado o vínculo Igreja-Estado Romano, sob Constantino ( tais como os “novacianos“), tenham emigrado – dentre outras localidades – para os inóspitos e pouco acessíveis vales alpinos. Nestes, haveriam perpetuado sua prole e consequentemente o Patrimônio Doutrinário genuinamente Apostólico. Isto posto, enquanto a instituição eclesiástica estatal (bem como seus grupos dissidentes) digladiavam-se em meio a embates político-teológicos, a “fina flor” da Dispensação Neotestamentária permecia incólume sob os cuidados valdenses. A esse propósito, no ano de 1689 um erudito declara:
“Os Valdenses são, de fato, os remanescentes daqueles que, deixaram a Itália após Paulo, o Apóstolo, entre eles semear as Novas. Abandonaram a seus pais e passaram a residir nas montanhas, onde, daquela época até os presentes dias, têm transmitido o Evangelho de pai para filho segundo o mesmo teor e simplicidade confiados por Paulo”.

Vales Alpinos
De fato, os numerosos cristãos perseguidos, conhecidos pelas diversas alcunhas que lhes atribuiam seus algozes, chegaram, em determinado período, a constituir um testemunho conciso e de vasto alcance (alheio à Cristandade institucionalizada), graças aos escritos pelos Valdenses preservados.De sorte que atualmente, temos ciência de que aqueles círculos de adeptos, congregados em estreitos laços de fraternidade, não comungavam dos conceitos comuns a gnósticos e maniqueus, tal qual propunham seus oponentes romanistas. Antes, primavam pela real ortodoxia apostólica e seu indelével legado.
O “Relícário” Doutrinário Valdense
A sìntese doutrinária-organizacional valdense pode ser apresenta da seguinte forma:
*Da Concepção Cosmogônica: Predestinacionista
*Do modus vivendi” : Modéstia e despojamento, quer no âmbito secular ou intelectual. (”Conditio sine qua non”)
*Das Escrituras: ênfase as narrativas e parâmetros neotestamentários / exame frequênte, contudo, averso a Teologia Sistemática.
*Da Modalidade administrativa: Congregacional (ênfase ao núcleo local)
*Do Governo e Organização: Dualista (Anciãos e Servidores – “Diáconos”), além de seus “cooperadores” itinerantes.
*Dos Honorários: Ausência de remuneração ou soldos pré-fixados para o exercício ministerial.
*Da Liturgia: Breve e desprovida de maiores aparatos.
*Dos “Sacramentos”: dois, a saber, Batismo e Refeição Memorial (Santa Ceia)
- Da Ministração dos Sacramentos:
BATISMO:
Crítério Básico: conversão (ausência de discipulado sistemático ou, catecumenato)
Faixa etária: Adultos
Ministrante: Ancião
REFEIÇÃO MEMORIAL (Santa Ceia)
Critério para participação: Batismo
Ministrante: Ancião
Frequência de sua realização: Anual
Forma de distribuição: um só pão e um mesmo cálice.
Bem, com o advento da Reforma Protestante, o movimento Valdense (forçosamente) viu-se compelido a converter-se em “instituição” devidamente formalizada. A partir daí, permitiu-se o acréscimo de práticas e conceitos até então incomuns ao seu milenar conteúdo. Elevaram-se templos, sistematizou-se sua tradição predominantemente oral, atribuindo-lhe novas feições e traços, segundo as diretrizes e demais ditames norteadores da Teologia Aplicada. Atualmente, a chamada “Igreja Valdense”, encontra-se atrelada a Aliança Presbiteriana Mundial, e portanto, destituída de seus primitivos diferenciais.
Após essa breve digressão, retornemos o eixo temático.
Pois bem, Francescon, não obstante, deparando-se com um estado um tanto deteriorado da “epopéia” Valdense, torna-se cônscio de sua história e legados, predispondo-se a resgatá-los em sua íntegra. Deste modo, ao atuar junto a Igreja Presbiteriana Italiana de Chigago, acalenta o nobre propósito de gradualmente reimplementar o “cânon” outrora exequível em todo o Piemonte “Vallois”. Deste áureo empreendimento, resulta a Assemblea Cristiana Italiana di Chicago (em face, sobretudo, da questão imersionista, bem como seu suposto “darbismo”). Por isso, faz-se míster compreender que, por “Assemblea Cristiana”, não se deve pressupor uma denominação religiosa juridicamente respaudada, antes, uma informal referência a um aglomerado (“Assemblea”), pautado em valores ou conceitos eminentemente cristãos (“Cristiana”) .

Louis Francescon
”O Ancião”
Uma vez, estabelecendo contato com o célebre “Movimento de Avivamento da Rua Azuza” (Los Angeles), certifica-se acerca da atualidade dos Sinais Apostólicos e sua contemporânea necessidade para o cabal arremate de sua empreitada “restauracionista” (“Pontos de Doutrina e da Fé que uma vez foi dada aos Santos”, Artigo VII). Muito embora, tenha desde sempre, se acautelado ante a iminência de um desvario de cunho “montanista”…
A seguir, em compania de seus colaboradores Giácomo Lombardi e Lucia Menna, segue rumo a América Latina, mais precisamente à Argentina e Brasil, nos quais finca as primeiras estacas ou representações da “Assemblea Cristiana” no hemisfério sul… Tanto na Argentina quanto no Brasil, os congregados passam a apresentar-se como “Reuniti nel Nome del Signore Gesù” (aliás, tal expressão fêz-se visível à entrada de muitos de seus locais de reunião durante todo o seu desenvolvimento inicial). A propósito, a Congregação Cristã brasileira (à semelhança do que ainda ocorre), dispunha de uma “clientela” teologicamente diversificada, evidenciando-se assim 0 seu potencial de absorção e consequente neutralização. São Paulo, provinham de denominações Históricas ou Clássicas, como o Presbiterianismo, Metodismo, Luteranismo e Batistas (além dos aderentes de origem católica romana).
Não se pode deixar de fazer menção ainda, a “Igreja dos Irmãos”, cujas alianças e influências não foram poucas para com a “Assemblea Cristiana”. Seu diferencial, consistia, basicamente, naquele referente à glossolalia, muito embora tenha-lhe servido de solícita “hopedeira” em não poucas localidades (Canadá, Itália, Brasil… ).
Destaque-se, que a aversão de Francescon ao “institucionalismo eclesial” era de tal modo resoluta que por solicitação sua a “Assemblea Cristiana di Chicago” manteve-se alheia ao “rol” denominacional norte-americano por longo período. Resistia, com igual pertinácia às usuais taxonomias sócio-estatísticas, de maneira que veio a evitar com pontual veemência classificações como “protestantes”, evangélicos” e, em particular “pentecostais”. Ainda hoje, especialistas diversos hesitam em delimitá-la/territorializá-la no que concerne à sua situação teológico-doutrinária. Calvinismo Ortodoxo? Arminianismo? Provavelmente algo distinto.
De capital importância para a compreensão do “modus operandi” organizacional-administrativo comum à Congregação Cristã é o episódio a seguir.
Por ocasião do retorno de uma de suas viagens missionárias ao Brasil, Francescon se vê diante um quadro um tanto heterodoxo, sob suas premissas eclesiológicas: uma parcela da Assembléia Cristiana di Chigado, institucionaliza-se sob uma coligação jurídicamente conhecida como Igreja Cristã da América do Norte (CCNA). Diante disso (e demais “desencontros” propriamente teológicos, compreendidos no período de 1914 a 1925), restou-lhe apenas uma alternativa: manter-se leal aos primitivos legados. Doravante, temos a “Christian Congregation in United States” (17 de abril de 1926), regularmente regimentada, enquanto dignitária e perpétua titular do paradigma eclesiológico vigente. O mesmo, pode-se afirmar de sua “côngenere tupiniquin”, a qual, inclusive, alavancou a Obra Evangelistica para além do contexto predominantemente étnico (ítalo-americano). De tal modo que nas décadas subsequentes fêz-se necessária uma pequena adequação quanto ao “distintivo” confessional oficialmente reconhecido. Dada sua expansão extra-territorial, veio a deixar sua anterior condição de “Congregação Cristã do Brasil” para “Congregação Cristã no Brasil”.
Conclusão
Conquanto, a anterior “exposição” não pretenda exaurir tão amplo espectro de minúcias e detalhes, propõe-se (sob históricos critérios) a fornecer ao pesquisador uma consistente síntese acerca do tema. De um retrocesso aos Dias Apostólicos e aos refugiados alpinos, passamos por séculos de ininterrupta transmissão doutrinário-identitária, paralelamente ao Cristianismo institucionalizado ou convencional. A Congregação Cristã se posiciona, pois, como recipiendária de tão augusto Depósito, desdobrando-se em meio as “intempéries” pós-modernas, a fim de que sua integridade e conteúdo permaneçam tal qual prescritas nos alvores de nossa Era.
Querido a paz de Deus!!!
Parabéns pelo seu blog, seu textos são excelentes.
Fico sempre a admirá-los no fórum CCB Sem Censura.
Fique na paz e no amor de Deus!
Fraterno abraço,
Mario
Por: Mario em 18 18UTC janeiro 18UTC 2010
às 1:24 am
Saudações Cristãs
Dileto Mário…
Grato pelas cordiais e afetuosas palavras.
Oxalá, assim permaneçamos, incondicionalmente irmanados em
sacrossanta UNIDADE.
Atenciosamente,
“Em Caridade”
Irmão Ednelson.
Por: Ednelson Fiuza de Oliveira em 19 19UTC janeiro 19UTC 2010
às 4:18 pm
Adorei o post. Demais. Sério.
Por: Desviando Sampa em 28 28UTC abril 28UTC 2010
às 5:28 pm
PAS É NOSSU DEUS,MEU NOME É claudio E TAMEM pertensu a congregação cristã no brasil,pessu que algums dos irmãos me informem qual É o nome do ancião que atende na central em buenos ares ,argentina.
ESPERU COMTATU ao meu E-mail claudiosilva1963@hotmail.com
telefone 19-34544658
Por: claudio da silva em 18 18UTC junho 18UTC 2010
às 6:41 pm