Publicado por: ekklesiachristiana | 29 29UTC setembro 29UTC 2011

Congregação Cristã e Declaração de Fé

 

Seguem-se os artigos constituintes da oficial (e universal) “Declaração de Fé” regularmente professada pela CONGREGAÇÃO CRISTÃ, em conformidade com os dispositivos doutrinários expedidos em Assembléia Geral (Niágara Falls, NY, E.U.A / 30 de abril a 01 de maio de 1927). Ressaltando-se, ainda, que a presente versão encontra-se já adequada aos adendos ou “emendas” ulteriormente outorgados (1, 2).

 

“PONTOS DE DOUTRINA E DA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS”
 

(Estatuto, cap. II, art. XXII, Fé e Doutrina)

 

I – Nós cremos na inteira Bíblia Sagrada e aceitamo-la como contendo a infalível Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. A Palavra de Deus é a única e perfeita guia da nossa fé e conduta, e a Ela nada se pode acrescentar ou d’Ela diminuir. É, também, o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. (II Pedro 1:21; II Tim. 3:16-17; Rom. 1:16).

II – Nós cremos que há um só Deus vivente e verdadeiro, eterno e de infinito poder, Criador de todas as coisas, em cuja unidade há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Ef. 4:6; Mat. 28:19; I João 5:7).

III – Nós cremos que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é a Palavra feita carne, havendo assumido uma natureza humana no ventre de Maria virgem, possuindo Ele, por conseguinte, duas naturezas, a divina e a humana; por isso é chamado verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e é o único Salvador, pois sofreu a morte pela culpa de todos os homens. (Luc. 1:27-35; João 1:14; I Pedro 3:18).

IV – Nós cremos na existência pessoal do diabo e de seus anjos, maus espíritos, que, junto a ele, serão punidos no fogo eterno. (Mat. 25:41).

V – Nós cremos que o novo nascimento e a regeneração só se recebem pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção. (Rom. 3:24-25; I Cor. 1:30; II Cor. 5:17).

VI – Nós cremos no batismo na água, com uma só imersão, em Nome de Jesus Cristo (Atos 2:38) e em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mat. 28:18-19).

VII – Nós cremos no batismo do Espírito Santo, com evidência de novas línguas, conforme o Espírito Santo concede que se fale. (Atos 2:4; 10:45-47 e 19:6).

VIII – Nós cremos na Santa Ceia. Jesus Cristo, na noite em que foi traído, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim”. Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: “Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós”. (Luc. 22:19-20; I Cor. 11:24-25).

IX – Nós cremos na necessidade de nos abster das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação, conforme mostrou o Espírito Santo na Assembléia de Jerusalém. (Atos 15:28-29; 16:4 e 21:25).

X – Nós cremos que Jesus Cristo tomou sobre si as nossas enfermidades. “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”. (Mat. 8:17; Tiago 5:14-15).

XI – Nós cremos que o mesmo Senhor (antes do milênio) descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares e assim estaremos sempre com o Senhor. (I Tess. 4:16-17; Apoc. 20:6).

XII – Nós cremos que haverá a ressurreição corporal dos mortos, justos e injustos. Estes irão para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. (Atos 24:15; Mat. 25:46).

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1- Do artigo I – acerca das Escrituras e seu caráter continente.

2- Do artigo VI – acerca da fórmula dita “Concordata”.

Publicado por: ekklesiachristiana | 6 06UTC novembro 06UTC 2009

Congregação Cristã e Batismo (Dos Sacramentos – I)

Introdução:

 

“Sacramento”: do latim: “sacro” (qualidade daquilo que se afirma ser sagrado) e “mementum” (recordação, marca ou sinal daquilo que evoca a memória de).  Embora não se proponha a validar ou se contrapor a aplicabilidade do vocábulo “sacramento”, a Congregação Cristã, o utiliza em circunstâncias ou contextos que assim o requeiram, tal qual se pode observar já no ano de 1936 em texto oficial (Convenção Geral -1936 / Item “Batismo”). Em conformidade com o primitivo legado neotestamentário; em concomitância com as práticas “Valdenses” (que nada mais são que uma extensão daquele), além da Tradição Reformada – em suas prerrogativas genuinamente apostólicas – parece adequado a Congregação Cristã reconhecer como legítimos, DOIS e insubstituíveis sacramentos, a saber:

 

* O Batismo

* A Refeição Memorial ou Santa Ceia

 

 A seguir, uma panorâmica exposição do item primeiro (Batismo), segundo os princípios norteadores em vigor:

 

 O BATISMO CRISTÃO

 

O Batismo constitui o “sacramento por excelência”. Por meio dessa experiência ímpar, tende-se a imprimir no postulante a vida cristã, uma indelével marca, cuja memória se fará insinuar ao longo de toda a sua trajetória. Considerando-se a magnitude de tal “mystérion”, convém a ele dedicar incondicional cuidado, abrangendo-o em todas as suas possíveis variáveis. Assim, apresentêmo-lo sob suas diversas perspectivas:

 

I – Cristo e o Batismo, o protótipo:

 

batismo_jesus

Jesus sendo batizado nas águas do Jordão, por João Batista

 

Ora, o Divino Mestre em toda a sua plenitude, submeteu-se ao Batismo ministrado por João, cuja simbologia e objetivos, embora distintos do Batismo Cristão, prefigurava-o ou serviu-lhe de protótipo. Conquanto, desnecessário lhe fosse, sujeitou-se a tal processo, conferindo-lhe prioridade e excelência, na ordem sequencial da nova vida debaixo da Graça. Por ocasião da chamada “Grande Comissão”, reitera essa mesma posição, situando o Batismo num patamar correlato ou extensivo ao próprio discipulado:

 

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus, 28:19)

 (“Poreuqentes oun maqhteusate panta ta eqnh baptizontes autous eis to onoma tou patros kai tou uiou kai tou agiou pneumatos.”  - koiné transliterado )

 

 Esse versículo, contudo, encontra-se sob acirrada crítica, por parte de não poucos exegetas e literatos bíblicos, o que virá a ser oportunamente esmiuçado. Por essa mesma razão, deve-se usar de triplicada cautela no que concerne a FÓRMULA batismal vigente. Nele, entretanto, temos inconteste alusão ao Batismo, enquanto incumbência apostólica primária. O texto grego em pauta, exprime a idéia de continuidade ou coexistencia entre “discipular” e “batizar”, o que implica em uma só e mesma ação. Não constituem, desta feita, passos distintos, antes uma operação unívoca.

 

II – Os Emissários Apostólicos e o Batismo:

 

F.E

Filipe batiza o eunuco

 

Em conformidade com os ditames da “Grande Comissão”, os Apóstolos e seus primitivos cooperadores eclesiais, dão início a empreitada proposta, logo em seguida a manhã de Pentecostes. Tendo Pedro, tomado a dianteira, conclama a multidão presente a conversão (“discipular”), cuja “explanação” efetua-se de maneira concisa e sem maiores delongas teológicas. Correlatamente, determina serem (sem maiores exitações) batizados (“Em Nome de Jesus Cristo” / Atos, 2:38 ). Este, torna-se, o “Cânon Batismal” doravante reproduzido (sem quaisquer exceções), por todos os demais emissários apostólicos, ao longo de todo o primeiro século.

 

Pedro e o Batismo

 

Além do clássico evento narrado em Atos 2:38, podemos observar a atuação de Pedro em distintas situações ou contextos, mantendo-se, contudo, inflexível em sua peculiar ortodoxia e/ou metodologia. Assim procedeu-se, para com Cornélio, o Centurião. Tendo-lhe testificado acerca do Messias e suas Novas (“discipulando-o”), imediatamente o conduz ao Batismo, assim como aos circunstantes, “Em nome do Senhor“…(Atos, 10:34-48).

 

Filipe e o Batismo

 

Filipe “O Evangelista”, semelhantemente, vem a reproduzir idêntica “didática evangelistica”. Vejamos:

 

“Simão, o Mago”

Os seguidores de Simão, “O Mago”, estupefatos com as palavras proferidas, além dos prodígios operados por Filipe, aderem ao Evangelho, sendo, na seqüência, batizados. Mesmo Simão, acata ao anúncio do Reino e, uma vez tendo crido, fora batizado (Atos 8, 5-13).

 ”O Eunuco”

No célebre epísódio referente ao “Eunuco”, ministro de Candace, rainha etíope (Atos, 8, 26-40), podemos observar semelhante medida. Ao ir-lhe ao encontro, por prévia e divina determinação, orienta-o Filipe acerca de um fragmento veterotestamentário (Isaias, 53) segundo os parâmetros recém instaurados (O Evangelho da Graça). Após tê-lo feito e, a pedido do próprio eunuco, batiza-o. Faz-se mister, nos atermos a um detalhe por muitos ignorado. Ao solicitar o Batismo, o Eunuco (não obstante, alheio as idiossincrasias da Nova Dispensação), demonstra familiaridade para com o ato de batizar, evidenciando que tal prática, seguia-se (imediatamente) ao arrependimento e/ou conversão, como parte integrante de um mesmo processo. A isso, Filipe, não se opõe, antes, predispõe-se a fazê-lo sem mais demora. Cogitar, que Filipe se encontrasse inseguro diante da possibilidade de não mais rever o eunuco e conferir-lhe o Batismo, implica em substimar a Divina Presciência. Sobremodo, tendo em vista que o mesmo Filipe, havia sido designado pelo anjo para esse preciso fim.

 

 Paulo e o Batismo

 

 É notorio a todo e qualquer hermenêuta ou apologista, que a universalidade paulina, opunha-se sensivelmente a renitente parcialidade petrina (Gal. 2:11-14). No que tange ao Batismo, porém, constata-se o inverso. Paulo, não apenas acata o primitivo “modus operandi” por Pedro outorgado, como o reproduz fielmente, segundo nô-lo demontram os Atos dos Apóstolos. Aliás, o próprio Paulo experienciou a sutil tessitura desse processo, quando de sua temporária cegueira e, posterior batismo, ministrado por Ananias, sequencialmente à comunicação das Novas (Atos, 9:17-18).

“Lídia, a vendedora de purpura”

Por ocasião de sua estada em Filipos, Paulo depara-se com algumas mulheres próximas a um rio, local tido por adequado à oração, em dia de sábado (Atos, 16, 11-15) … Dentre elas, encontrava-se Lídia, a quem aprouvera ao Senhor abrir o coração, ante as palavras do apóstolo… Neste “fecundo terreno”, semeia Paulo as boas novas, e prontamente batiza-a, bem como aos seus… Imprescindível, lembrar, que Lídia fora predisposta ao Evangelho, como sua seleta depositária. Presume-se, inclusive, que sua casa tenha servido como a inicial “hospedeira” da primitiva “ekklésia” filipense (a primeira comunidade cristã implantada em território europeu).

“O Carcereiro”

Ainda em Filipos, Paulo e seu cooperador ministerial Silas, são conduzidos ao cárcere. Após turbulento episódio, são divinamente libertos. Ante a magnitude da ocorrência, o carcereiro presente rende-se ao Evangelho. Indagando a Paulo e Silas acerca da Salvação, se lhe impõe tão-somente “crer”, tendo sido sucintamente esclarecido no tocante às Novas. A seguir, procedeu-se ao seu batismo, bem como ao daqueles que com ele coabitavam (Atos 16, 23-33).

“Os efésios joaninos”

Estando o cooperador Apolo na cidade de Corinto, Paulo dirige-se ao interior da provincia, chegando a Éfeso. Ai, vê-se diante um quadro um tanto incomum: o “gérmem” da futura “ekklésia” local (“mais ou menos doze homens”), havia sido já batizado, entretanto, segundo a tradição joanina. Interpelando-os sobre o Espírito Santo, demonstram flagrante desconhecimento. Muito embora, já batizados, Paulo os exorta de maneira breve e precisa, ao que todos consentem, sendo batizados “Em Nome do Senhor Jesus” (Atos 19, 1-7)…

 

 III – Batismo e Acréscimos Pós-Apostólicos: Penuncios de Apostasia

 

Com a morte de João, “O Derradeiro”, e a conseqüente supressão da Estirpe Apostólica, a Apostasia (já reiteradamente predita), tende a lançar seus primeiros “rebentos”. Essa realidade, fêz-se refletir, entre outras coisas, na administração e fórmula batismais. Com a expansão do Evangelho, rumo ao oeste do Império Romano, os conceitos e práticas referentes ao Batismo, passam a adquirir novas feições. As influências gentias ou “pagãs”, tornam-se, sobremaneira, patentes em suas medidas adicionais. No que diz respeito aos critérios, o ato de “crer” outrora tido como o exclusivo e decisivo elemento, é suplantado por uma metologia pautada em concepções em muito semelhantes àquelas aplicadas aos chamados “Mistérios Eleusinos”, e demais segmentos de cunho ocultista… Disto temos, como resultante o CATECUMENATO. Este, consistia num período de três anos em ininterrupta formação doutrinal, após o qual realizava-se uma espécie de sindicância e escrutinio. Sendo o postulante reconhecido como minimamente apto, passaria ao grau de ouvinte-observador. Nesta condição ou estágio, permaneceria mais três anos, ao término dos quais submeter-se-ia a um novo exame. Apresentado-se em condições adequadas, ser-lhe-ia finalmente concedida a autorização para a “Preparação imediata ao Batismo”. Em tal “preparação”, recebia a “Profissão de Fé”, bem como a “Oração Dominical” (ou “Pai Nosso”) a fim de estudá-los ao longo de oito dias. Ao receber o Sacramento do Batismo, e tornar-se neófito, eram-lhe  conferidos os sacramentos complementares ou de iniciação (catequese mistagógica). Por analogia aos mistérios da morte-ressurreição, prezava-se a Celebração da Páscoa como o momento mais propício à ministração do Sacramento.

Ao “catequista” local, competia não apenas a consistência do conteúdo ministrado ao postulante, como também a verificação das alterações e demais ocorrências comportamentais do mesmo. Outro acréscimo comum à época foi a criação das pretensas “Escolas de Catequese”, como a “Escola de Alexandria” (Egito), a “Escola Catequética de Cesária” e a “Escola de Antioquia” (Palestina). Quanto à formula, pode-se inferir o mesmo. Deliberadamente e, por questões convencionais à estrutura clerical então constituída, suprimiu-se a primitiva “Fórmula Petrina”, aplicando-se única e exclusivamente a denominada “Fórmula Trinitária”. Neste particular, cabe-nos, uma imprescidível ressalva. A Congregação Cristã, embora “Trinitarista”, conforme se há de concluir do artigo de número II de sua Declaração de Fé (“Pontos de Doutrina e da Fé que uma vez foi dada aos Santos”), usa de triplicada cautela para com a referida questão. Sua relação para com a “trinitariedade divina”, se dá de maneira significativamente distinta, se contraposta as demais vertentes cristãs ditas “Trinitaristas”. A Congregação Cristã reconhece a flagrante relação subjacente aos “Entes” pressupostos, contudo, não se arroga a exaurí-lo em toda a sua plenitude e mistério… A propósito, diz-nos Paulo que: ” … agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (I Coríntios 13:12)… Por esta causa, no que concerne a Divindade, sua invocação e afins, atêm-se cuidadosamente às primevas diretrizes e indicadores apostólicos. De tal modo, que não se dirige, sob qualquer circunstância, a Pessoa do Espírito Santo por via direta (“Vem Espírito”, “Ó Espirito”…), o que, aliás, não se verifica em qualquer fragmento neotestamentário canônico. Com idêntica ortodoxia, posiciona-se em relação ao Batismo, seja no que toca à fórmula ou forma de sua ministração. Retomando. A “Fórmula Trinitária”, massiçamente aceita como medida régia para a consecução do Batismo Cristão, deve ser devidamente ponderada em suas origens e escopo. É de todos conhecido (conforme atestam eruditos de elevado gabarito) que em todo o transcorrer do primeiro século não se tem registrado um só batismo ministrado sob a “Formula Trinitária” (tão-somente). A “Didaqué” o faz, muito embora sua condição apócrifa, a desqualifique. Mesmo Eusébio (“O Historiador” 265-339), estando a serviço do sistema clerical instituido, não relata em sua “Historia Ecclesiae” a ministração do Sacramento do Batismo sob a Fórmula Trinitária. Apenas, o faz posteriormente, sob imposição hierárquica (provavelmente de Atanásio, O Bispo). Sabe-se que a invocação trinitária para finalidades diversas (que não necessariamente as batismais), tornou-se oficialmente usual a partir do Concílio de Nicéia (325), sob a tutela de Constantino, o Grande. Ora, mas o que diz o texto de Mateus, 28:19, senão “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”… Não é o que consta dos dados de “Historia Ecclesiae”… Eusébio, apresenta a seguinte versão: “Ide e tornai todas as nações discípulas em meu nome, ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei” (28, 19-20). Esse versículo, assim como outros supostos acréscimos pós-apostólicos, tem se tornado alvo de severas críticas e observações, de tal maneira que algumas versões atuais já os trazem entre chaves ( [] ) ou devidamente retificados em sua contextual precisão. Acredita-se, que o alegado acréscimo, deva-se a Tertuliano, em torno de 197, visto a expressão “Trindade” haver sido cunhada em 190 por Teófilo…. Justino, “O Mártir” (100-165), talvez, tenha testemunhado os passos iniciais dessa grosseira alteração. Tyndale, em seus comentários neotestamentários, posiciona-se de maneira aproximada. Não restam dúvidas, pois, que o primitivo Batismo Cristão, fora (desde a os alvores de nossa Era), ministrado segundo a “Fórmula Petrina”. Outrossim, toda referência escrituristica (canônica) pertinente ao Batismo, direta ou indiretamente associa-o a Pessoa de Cristo ou a seu Nome, como se pode depreender (dentre outras) do fragmento abaixo:

 

“… foi Paulo crucificado por vós? ou fostes batizados em nome de Paulo?

 (I Corintios 1:13)

 

Apelações exegéticas? Em absoluto. Obviedades tais, que o mais “rélis” dos leigos as abstraem sem maiores sobressaltos hermenêuticos…

Acaso, referiria-se o Apóstolo a alguém haver batizado a este ou aquele, sob a “autoridade do nome de…” , conforme conjecturam alguns? Não… O texto grego faz referência inequívoca ao “uso ou invocação literal do nome de” e, não apenas em atuar em nome de determinadado indivíduo, enquanto seu embaixador (“Memeristai o Khristos mê Paulos estaurôthê uper umôn ê eis to onoma paulou ebaptisthête” / koiné transliterado).

Ademais, o mesmo apóstolo em expressa exortação, determina: “E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”(Colossenses, 3:17). Outro argumento amplamente propagado, diz respeito ao fato da primitiva “Fórmula Petrina” não apresentar uniformidade quando mencionada, o que não lhe atribuiria o “status” de “fórmula” como tal. Ora, a invocação correta seria “Em Nome de Jesus Cristo” (Atos, 2:38) ?; “Em nome do Senhor Jesus” (Atos, 10:34-48) ?. Poderia Pedro emitir expressões distintas ao referir-se a um mesmo processo? Paulo, por seu turno, recorre a última quando de sua estada em Éfeso (Atos, 19:5). Quanto a isso, nenhum complicador há, visto que as menções ao Cristo, sempre fizeram-se permutáveis ao longo de todo o Novo Testamento. Assim temos:

 

“Jesus Cristo”

“Cristo Jesus”

“Senhor Jesus”

“Jesus ( o ) Senhor”

“Senhor Jesus Cristo” (entre outros)…

 

 A “gama” de possibilidades, portanto, era em tudo flexível neste aspecto, de modo que uma construção frasal não resulta, na obliteração ou comprometimento da outra. Considere-se, todavia, que a designação “Jesus Cristo” (“Yeshua – Ha – Mashia”), foi desde sempre tida como o oficial distintivo atribuido ao “Nazareno”. Disto conclui-se, que as demais variantes constituiam vias coloquiais – ou referências menos formais – a Pessoa do Divino Mestre. Por outro lado, incorreríamos em crasso despautério ao propror e/ou afirmar que a Fórmula Trinitária, ignore a pessoa do Cristo. Faz-lhe direta menção, ao citá-lo em sua condição na distribuição trinitária (“Filho”), porém, omite seu NOME… E, disse o Anjo a José, acerca da Virgem: “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. (Mateus 1:21).

Temos pois, que malgrado contestada em sua fidedignidade e autoria, a Fórmula Trinitária não deve ser tida por irregular ou espúria, muito embora não venha a suprir, por si só, as pendentes lacunas. Assim compete elevá-la a condição que lhe é de direito, não excluindo-a da invocação batismal, antes complementando-a, segundo se nos  tem demonstrado por meio uma contextual investigação e perícia hermenêuticas. Disto trataremos, no momento adequado.

 

Batismo-católico romano

 Batismo Infantil por aspersão

 Rito Católico Romano

 

A Forma pela qual o Sacramento do Batismo foi inicialmente estabelecido, também sofreu significativos abusos. De uma singela e integral imersão (como se pode deduzir de uma simples e imediata verificação etimológica – gr.: “βαπτισμω” [baptismō] : “imergir”, “banhar”, “cobrir”, “tingir”…) veio a  converter-se numa série de desdobramentos ritulisticos, muitos dos quais, explicitamente ancorados em conceitos ou práticas de origem gentia (“pagã”). Mesmo a matéria ou elemento aplicados ao mesmo (a água), veio a ser (sob determinadas circunstâncias) suplantada. De tal modo, que argumentam os ortodoxos orientais que, na ausência de água (em um deserto, por exemplo), o sacramento poderá ser relizado sem maiores comprometimentos, recorrendo-se ao elemento areia. Quanto ao “Serviço Sacro”, em si, foram-lhe acrescentadas emendas litúrgicas um tanto duvidosas. . De uma breve leitura do texto bíblico, seguida de uma explanação também concisa e esclarecedora (“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus…” Romanos, 10:17 / idem Atos, 8:31),  focando-se a pessoa de Jesus como sendo o “Cristo” [Ha Mashia], bem como a instauração do Novo Pacto,  passou-se a elaboração de sofisticados ritos, ao som de reiteradas jaculatórias. Isso sucedeu não apenas no âmbito Ortodoxo Oriental e Católico Romano, como também em algumas ramificações protestantes.

 

batismo-ortodoxo

Batismo Infantil por imersão tripla

Rito Católico Ortodoxo

 

Portanto, a FORMA, se integralmente expressa nos termos apostólicos, deve consistir numa só e completa imersão. A “Didaqué”, já incorre em desvario ao propor inovações como: aspersão facultativa e tripla, jejum pré-batismal, entre outros… Algumas variantes ortodoxas orientais, sugerem três imersões (ou aspersões), sendo estas correspondentes a cada Pessoa da Trindade. Isso, entretanto, redundaria em três batismos (“… [Há] um só batismo…” / Efésios, 4:5). Aspergir, por sua vez, implica em alterar o ato proposto em toda a sua essência e simbolismo. Minimiza-se o alegado desconforto relativo a submersão nas àguas, todavia, priva-se o “Serviço Sacro” de sua significação primeira, a saber, fazer-se “sepultar” com Cristo pelo Batismo (Romanos 6:3-5). Pedro, o Apóstolo, refere-se ao dilúvio como sendo uma prefiguração ou alegoria ao Batismo Cristão (I Pedro 3:21). Ora, toda a Terra esteve submersa e, não apenas uma fração desta. Entre as inovações introduzidas nos séculos subseqüentes aos Dias Apostólicos, encontramos o BATISMO INFANTIL, cuja prática carece de toda e qualquer legitimidade histórico-exegética, tornando-se obsoleta em sua pretensão. Supor que os convivas de Lídia de Filípos, ou mesmo os familiares do carcereiro neo-converso, incluissem crianças em seu número, nem por isso deixa de ser uma suposição. Persistem, pois, as lacunas, ao passo que a Ortodoxia Apostólica se sustenta em fatos.

 

batismo-luterano

Batismo infantil (aspersão) / Rito Luterano

 

O Divino Mestre é inequívoco em sua sentença, de modo que o CRER antecede ao Batismo, como inalienável critério (Marcos 16:15-16).

Outro fator, desde longa data responsável por acirradas polêmicas entre apologistas diversos, diz respeito à PROFISSÃO DE FÉ. Seria ela, realmente necessária, tal qual se postula (sobretudo), entre algumas correntes protestantes clássicas? Bem, toda a análise discursiva proeminentemente favorável à Profissão de Fé PÚBLICA, atêm-se a fragmentos esparsos, dentre eles os seguintes:

 

“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”

(Romanos 10, 9-10).

 

 No texto acima, Paulo discorre acerca da obstinação judáica e o advento da Graça. Não se trata, portanto, de uma citação especificamente direcionada ao Batismo e suas pecualiaridades. Pode-se tê-lo como alusão indireta, contudo, torna-se forçoso precisar se o mesmo refere-se (ainda que extrinsecamente), ao tema em pauta (Batismo).

 

batismo-presbiteriano

“Profissão de Fé” seguida de Batismo (aspersão)

Rito Presbiteriano

 

 A “Confissão de Fé Pública”, segundo os moldes atualmente propostos, seguramente, veio a adquirir solidez e forma posteriormente aos Dias Apostólicos, em concomitância ou, precedendo ao catecumenato.

 

“Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”

(Atos 8:37)

 

A resposta do eunuco a Filipe, é claramente interpretada como uma genuína “Profissão de Fé”. Seria ela, aliás, a precursora de todos os demais paradigmas desenvolvidos ao longo dos séculos. Entretanto, o versículo supra citado, encontra-se (assim como Mateus 28:19), sob “condição”, isto é, não é unanimememnte reconhecido em sua origem e fidedignidade, visto não constar em inúmeros manuscritos, tais como:

 

Papiro Cheter Beatty 1, gr., séc. III, Dublin

Papiro Bodmer 17, gr., séc. VII, Genebra

Códice Sináitico, gr., séc. IV, Museu Britânico

Códice Alexandrino, gr., séc. V, Museu Britâncio

Ms. Vaticano1209, gr., séc. IV, Roma

Códice Efraemi Rescriptus, gr., séc. V, Paris

Vulgata Latina,gr., 400 d.C. (Jerônimo), Stuttgart

Siríaco Peshita (pesito), ar. , séc. V, Londres

 

Do acima exposto, concluimos que a chamada “Profissão de Fé” pré-batismal, sustenta-se em hipotetizações cujo teor deixa a desejar no quesito escriturístico. Além disso, a maneira , via de regra, informal (e imediatista) pela qual efetuavam-se as primitivas “abluções”, parecem não corroborar com a idéia de uma solene confissão de fé por parte daqueles que, rendendo-se ao Evangelho, aderiam à Causa Cristã.

 

IV – Congregação Cristã e Batismo:

 

Modalidade e critérios

 

 A Congregação Cristã, reconhece como única e universal modalidade batismal, aquela efetuada por imersão, em concomitância com o primitivo Legado Apostólico. Há que se destacar que trata-se de uma só imersão, considerando que o ato de “batizar” é correlato ao número de abluções. Conforme já exposto, na ocorrência de duas ou mais imersões, teríamos dois ou mais batismos (“… [Há] um só batismo…” / Efésios, 4:5). Pode-se realizá-lo em água corrente e/ou a céu aberto (rios, lagos, praias…) ou em tanques batismais, especificamente destinados a esse fim. Com o avançado estágio de urbanização com o qual nos deparamo hoje, tem se tornado inevitável a construção dos referidos tanques. Por conta disso, praticamente todas as Casas de Oração centrais de cada localidade, passaram a contar com tal recurso.

 A imersão ocorre integralmente, isto é, o postulante ao batismo é submerso em sua totalidade, de modo a ser instantaneamente “sepultado” sob as àguas.

 

tanque apuca

Tanque Batismal / Congregação Cristã

 

 A Congregação Cristã, postula como critério necessário à ministração do Sacramento, tão-somente aquele explicitamente verificável sob um integral exame dos Escritos Neotestamentários, a saber: o “CRER”. Determinantes secundários podem ser considerados, quais sejam, a faixa etária (maiores de doze anos apenas – exceto sob “condição”), estado civil (concubinato, etc)… Não se impõe prévia familiaridade para com a Doutrina Cristã e seus ditames, não obstante, seja absolutamente comum aos proponentes adiarem a sua formal adesão, o que pode variar de maneira significativa. Esse período, indiretamente, opera como um “estágio discipular” (“Discipulado”), no qual àquele que recebeu o testemunho do Evangelho (“o testemunhado”), detém-se à observação e sondagem daquilo que lhe é proposto.

O Batismo, é conferido a todos aqueles não afiliados à Congregação Cristã, seja lá qual for sua procedência ou anterior filiação. Entende-se que o Batismo é uma experiência ímpar e decisiva enquanto sinal de ingresso em uma corporação ou “ethos”. A lacuna psicológica, resultante do fato de migrarmos para determinado segmento e não nos submetermos aos seus processos “iniciáticos”, via de regra, desagua num estado (ou sensação) de incompletude ou desnível em relação aos demais correligionários. Isso, mais que mera conjectura é algo cotidianamente patente às diversas organizações ou grupos sociais. Assim, mesmo em seus primórdios – quando a Congregação Cristã facultava o Batismo àqueles já batizados por imersão e fórmula similares – a solicitação era habitual por parte dos filiados oriundos de vertentes outras. Reitera-se, todavia, a legitimidade de um só Batismo, estando essa conduta em estreita e fiel sujeição às diretrizes Apostólicas.

 

Ministrantes e Fórmula

 

 A Congregação Cristã, confia a realização do “Serviço Sacro de Batismo” a pessoa do Ancião (“Presbítero”). Sendo o Ancião (“Presbítero”), o legítimo dignitário do primitivo apostolado, compete a ele acolher pelo Batismo, aos futuros integrantes do “rebanho” cujos cuidados foram-lhe delegados (Atos, 20:28). Ao longo do processo, é auxiliado por um ou mais membros do Corpo de “Servidores” (“Diáconos”). Por ocasião de sua descida ao tanque batismal, um outro conservo seu (em equânime posição ministerial / Ancião) – passa a co-presidir o ofício em questão. Malgrado, a Assembléia Ministerial realizada no ano de 1962, estabeleça um atenuante com respeito a Filipe, “O Diácono-Evangelista” (declarando que não se deve estabelecer barreiras ou medidas ao Espírito e aos divinos propósitos), não se costuma delegar a realização de batismos aos Diáconos, exceto em excepcionais circunstâncias.

 

batismo primitivo 1950

Batismos por imersão / Década de 50 / Congregação Cristã

(Acervo de imagens)

 

Mediante as posições desde sempre conflitantes e/ou “dissonantes” no que toca às FÓRMULAS batismais, aprouve a Congregação Cristã restaurar a primitiva “Fórmula Petrina” em sua total integridade, conquanto não se relegue a habitual “Fórmula Trinitária” a supressão. Desta feita, segue-se ao procedimento taxonomizado como “Fórmula Harmônica” ou “Concordata”:

 

 ”Em Nome de Jesus Cristo te batizo: Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”

 

Essa medida alternativa, por alguns classificada como “Quaternária”, pressupõe a manutenção da Fórmula Trinitária, não omitindo, todavia, a clássica ordenança Petrina. Acerca da alegada “quaternidade”, não se verifica nela relevante procedência. A invocação “Em Nome de Jesus Cristo” (nesse particular contexto) opera em caráter introdutório. Outrossim, o Nome “petrinamente” invocado, remete-se ao Filho, “trinitariamente” mencionado. Não se tratando pois, de “Entes” distintos, mas de distintas alusões a um mesmo “Ente”.

Temos atualmente, um considerável número de denominações cristãs, cujo batismo efetua-se exclusivamente sob a Fórmula Petrina. Essa postura, porém, desconsidera a já consagrada Fórmula Trinitária. Esta, embora provavelmente ulterior ao Período Apostólico, constitui uma milenar herança, não podendo ser de todo, posta à parte.

Não raro, costuma-se objetar ainda, alegando-se que a “Fórmula Concordata” resulta em dois batismos. Tal afirmativa, entretanto, destitui-se por si mesma, haja vista tratar-se de uma só imersão.

 

Conclusões

 

Diante desse breve retrospecto, acredita-se haver proporcionado ao leitor uma idéia mais precisa e menos hipotética acerca da compreensão e práxis próprias da Congregação Cristã, no que diz respeito ao Sacramento do Batismo, suas origens, desdobramentos histórico-teológicos, e atual “manuseio”. Pormenores de menor monta, entre outros, poderão ser devidamente colocados em pauta, quando de sua solicitação e, em conformidade com as necessidades apresentadas pelos refereridos pesquisadores.

 

Publicado por: ekklesiachristiana | 23 23UTC outubro 23UTC 2009

Congregação Cristã e Liturgia: o culto cristão

 

Introdução

Conforme  se se pode  apreender de uma meticulosa averiguação exegética-hermenêutica neotestamentária (canônica), a  “ekklésia” –  em seus alvores -  não dispunha de um específico “modus operandi”  no que toca  à “liturgia” ou “culto” (gr.: λειτουργία). Aliás, a aplicação da expressão “liturgia” (em sua rigorosa acepção etimológica), distancia-se consideravelmente daquilo a que se propunham os primitivos adeptos cristãos em suas habituais reuniões.

Derivando-se dos radicais “leit” (de “laós”, povo) e “urgía” (trabalho, ofício), indica serviço ou trabalho público. Por extensão, passou a referir-se (entre os helênicos) ao ofício religioso, considerando-se que segundo o contexto vigente, as práticas rituais encontravam-se investidas de um caráter eminentemente PÚBLICO. Já a Versão Septuaginta (LXX)  restringe o vocábulo “liturgia” apenas ao Sacerdócio Levítico (veterotestamentário), evidenciando assim, que o Novo Pacto prevê (entre outras coisas) a imediata supressão do cerimonialismo cultual compulsório. A formalização litúrgico-ritualistica ulteriormente  desenvolvida e oficialmente instituída  (“Celebração da Missa” / Ritos Latino e Oriental)   situa-se num nível cronologicamente tardio e doutrinariamente questionável  (Período Pós-apostólico).  Assim respaldada, manifesta-se a Congregação Cristã quanto ao aparato ritualístico veterotestamentário e sua flagrante transitoriedade (1947:  Doutrinas: Das Leis Civil, Moral e Cerimonial).

 

sacerdote levita

 Sumo Sacerdote judeu

ministrando no “Santo dos Santos”

 

Dos “Atos dos Apóstolos”, o primeiro “tratado” ou esboço propriamente histórico acerca do Cristianismo primevo e seu inicial desenvolvimento  -  bem como de algumas Epístolas Paulinas e Gerais - podemos inferir que as primitivas reuniões cristãs consistiam basicamente em orações e cânticos, sendo estes últimos individualmente entoados ou “à moda” congregacional (em uníssono). Atribuindo-se especial ênfase aos salmos e  as escritos proféticos, os referidos cânticos  remetiam-se  à figura do Messias e alegorias correlatas ao mesmo. Eruditos e  especialistas diversos, sugerem  que o construto poeticamente descrito em I Timóteo 3:16  aluda a um  primitivo fragmento hinológico.

Facultava-se ainda a comedida expressão dos chamados “karismas” (gr.: “dons”). Em algumas “ekklésias”, tais como Corinto, a recorrência aos “karismas”,  veio a  exceder-se sobremaneira, razão pela qual Paulo reiteradamente a admoesta. Além de tais elementos (orações e cânticos), há de se supor que as leituras e explanações bíblicas constituíssem o âmago de toda convocação regularmente presidida.  Deve-se ainda ressaltar os eventuais relatos ou narrativas  concernentes à conversões, empreendimentos evangelísticos e miraculosos feitos (o protótipo do vulgo “testemunho”).

 Conjecturas à parte, sabe-se que algo constituia uma “regra áurea” segundo a concepção eclesiológica paulina, a  ORDEM. Assim, em sua Epístola endereçada à primitiva “ekklésia” coríntia, Paulo estabelece o princípio da “Decência e Ordem”, como perpétuo e irrevogável parâmetro, indistintamente aplicado a todo ato realizado sob a chancela da Graça. (I Cor. 14:40). Ademais, o “culto” em sua essência, processa-se racionalmente ( Gr.: “LOGIKÊN LATREIAN” – Romanos: 12:1)

 Quanto ao “partir do pão” (gr. transl.: “klasei tou artou”), seja como “ágape” informal (e culturalmente comum à cultura meso-oriental e/ou greco-romana), ou propriamente a Refeição Memorial (“Santa Ceia”), não se deve concebê-lo como parte integrante do “culto” originalmente apostólico.

 Já  Calvino, reformista e um dos precursores do atual presbiterianismo, postulava um regresso as origens cristãs apostólicas, nas quais a leitura e exposição bíblicas caracterizavam-se como o clímax  (ou ponto de convergência) em todo  o “culto” neotestamentário. Disto temos,  a clássica frase: “Quatro paredes e um sermão”, aludindo-se ao despojamento e pragmatismo cultual calvinista. Em contrapartida, o luteranismo veio a preservar algumas traços comuns a  tradicional “liturgia” medievalesca.

 

 

Culto Luterano

Culto

(Modalidade Litúrgica  Luterana)

 

Congregação Cristã  e  Culto

 

Ora, considerando-se que  as primitivas comunidades cristãs – em suas corriqueiras reuniões congregacionais – abstinham-se  de uma modalidade “ipsis litteris” “litúrgica” (e, semelhantemente, seus históricos depositários  (Valdenses Remanescentes), pareceu adequado à Congregação Cristã contemporânea primar por sua inalterância.

Assim, deliberou-se (em concomitância com a experiência demonstrada) que o “Serviço de Culto” oficialmente aceito, limitar-se-ia basicamente, a preces sucintas, além dos usuais cânticos ou hinos. Reservando-se, ainda, um breve período para a exposição de relatos, bem como a transmissão de comunicados. O ponto culminante, todavia, consistiria na leitura e explanação dos  Sagrados Textos. Isso tudo, primando-se pela erradicação do formalismo cultual, não obstante, tenha-se como necessário “arremate” a DECÊNCIA e a ORDEM (segundo a admoestação paulina). Por conta disso, manifestações paralelas como a glossolalia, profecias e congêneres, encontram-se ”sob condição”. Convencionalismos gestuais, como palmas (aplausos) ou  expressões corporais difusas são evitados. Desta feita, a “metodologia litúrgica”  oficialmente adotada pela Congregação Cristã  a distingue significativamente dos  segmentos ou vertentes ditos “pentecostais”. Ainda, no que respeita à ORDEM, observa-se  uma proporcional distribuição de seu membros no interior de seus recintos (“casas de oração”), de modo a compor duas ”alas” ou blocos: homens e mulheres em espaços distintos (antecedentes valdenses).

 

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Culto

(Modalidade litúrgica ”pentecostal”)

 

O presente “formato litúrgico” tornou-se o protótipo para todos os demais eventos realizados, adaptando-os, porém, às suas respectivas finalidades. Deste modo, nos Serviços Sacros para Batismos, suprime-se o momento destinado aos “testemunhos” e, assim sucessivamente.

 

A seguir, uma sequencial descrição da estrutura  “litúrgica” universalmente aplicada pela Congregação Cristã em suas reuniões e eventos afins:

 

I – Abertura – após uma aclamação coletiva (geralmente “Deus Seja Louvado / Amém!”) o presidente declara aberto o presente serviço “Em Nome do Senhor Jesus” (Colossenses 3, 17).

II – Hino Inicial (ou de Abertura)

III – Hino Intermediário

IV – Hino Pré-Oração Inicial

V – Oração Inicial (Súplica ou Petição)

VI – Momento reservado aos “Testemunhos” (relatos e narrativas alusivos a conversão, intervenções miraculosas e/ou transmissão de saudações – quando provenientes de congregações co-irmãs).

VII – Hino alusivo à Palavra (Leitura e Exortação)

VIII – Comunicados – espaço destinado a avisos e diversos (sendo, sob condição, suprimido, quando assim determinado pelo presidente)

IX – Leitura do texto bíblico e sua posterior explanação (a critério do presidente local, ou dos demais membros do Corpo Ministerial presentes – não havendo prévia determinação homilética).

X – Oração de Encerramento (Ação de Graças).

XI – Hino de Encerramento / Hino Final

XII – “Benção Apostólica” / Saudações finais.

 

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Serviço de Culto / Congregação Cristã

 

Temos assim, um panorama  ou “esquematização” não pormenorizados do “Culto Cristão”, segundo os princípios e práticas regularmente aceitos pela  Congregação Cristã e sua singular ortodoxia.

 

 

 

Publicado por: ekklesiachristiana | 21 21UTC outubro 21UTC 2009

Congregação Cristã e Origens: antecedentes históricos

 

 

Introdução

 

Nos derradeiros anos (sobretudo em razão de seu primeiro centenário 1910-2010), muito se tem especulado – e não raro hipotetizado – acerca da Congregação Cristã e suas origens. Evidentemente, que a temática em pauta requer uma magistral perícia e habilidade, haja vista, serem raros os subsídios disponíveis para que se possa levar  tal empreitada à cabo. Contudo, a  isenção axiológica  e o empenho nos podem conduzir a um excelente termo. Peça imprescindivel para a compreensão deste intricado quebra-cabeças, diz respeito a seu pioneiro, Ancião Louis Francescon. Oriundo da península itálica, rendeu-se ao Evangelho em terras norte-americanas (sob a “tutela” da  Alleanza Cristiana e Missionária)dando origem, posteriormente, a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago em parceria com seus correligionários VALDENSES… A este ponto, devemos nos ater com absoluta precisão. Quem eram, afinal os “valdenses”? Façamos um breve retrospecto a fim de pormenorizar tal questão.

Embora estreitamente aparentados com os albigenses, sua origem parece aludir a um período deveras remoto. Quanto a designação (“Valdenses”), por um lado deriva-se do personagem Pedro (de) Valdo ( ? – 1217 / Lion , França), a quem coube atribuir ao movimento maior realce e expansão. Outros, porém, associam a nomenclatura ao francês “vallois” (habitantes dos vales) – aliás, mencionada em escritos anteriores a Pedro. A antigüidade do referido segmento é testemunhada por diversas fontes, tanto internas como externas ao movimento, e também, em face de algumas idiossincrasias comuns ao seu “ethos”. Rainero (O inquisidor),  falecido no ano de 1259, relata:

 

“Entre todas estas seitas… a dos “leonistas” (leia-se Valdenses).. é aquela que por mais tempo tem existido, pois alguns afirmam perdurar desde os idos de Silvestre ( O Papa / 314-335), outros, dos Dias Apostólicos”.

 

Marco Aurelio Rorenco, pároco de São Roque em Turin, em sua narrativa e história dos mesmos, declara que os adeptos Valdenses são tão remotos em sua origem que não se pode precisar a datação de seu surgimento. Outrossim, os próprios integrantes valdenses testificam de seus primórdios como contemporâneos a Estirpe Apostólica.

 

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Pedro Valdo

 

Outra evidencia “em prol” de sua antigüidade é a sua relativa ausência de antagonismo para a cristandade convencional, diversamente de outras vertentes (incluindo-se os albigenses) que dela separaram-se em resistência aos seus desvarios. Os Valdenses, por seu turno, caracterizavam-se por um posicionamento sensivelmente mais tolerante, visto admitirem o fato de que muitos daqueles ainda subordinados ao sistema Clerical Apóstata, dispunham de notáveis princípios. Assim, futuramente, quando de suas negociações junto aos Reformadores, mostraram-se afeitos ao que nestes havia de originalmente cristão, a que os demais opuseram em totalidade. Guillermo Farell (reformador suíço) lamenta-se, por exemplo, acerca da serenidade valdense ante o catolicismo romano, não compreendendo, todavia, as causas de semelhante postura. Disto depreende-se, que a conduta Valdense frente os seus opositores consistia mais, em indiferença, que proprioamente  hostilidade

Em verdade, embora seja impossível precisar o seus primeiros passos, é provável que consistissem (em seu núcleo inicial) num remanescente daqueles, que havendo rejeitado o vínculo Igreja-Estado Romano, sob Constantino ( tais como os “novacianos“), tenham emigrado – dentre outras localidades – para os inóspitos e pouco acessíveis vales alpinos. Nestes, haveriam perpetuado sua prole e consequentemente o Patrimônio Doutrinário genuinamente Apostólico. Isto posto, enquanto a instituição eclesiástica estatal (bem como seus grupos dissidentes) digladiavam-se em meio a embates político-teológicos, a “fina flor” da Dispensação Neotestamentária permecia incólume sob os cuidados valdenses. A esse propósito, no ano de 1689 um erudito declara:

 

 “Os Valdenses são, de fato, os remanescentes daqueles que, deixaram a Itália após Paulo, o Apóstolo, entre eles semear as Novas. Abandonaram a seus pais e passaram a residir nas montanhas, onde, daquela época até os presentes dias, têm transmitido o Evangelho de pai para filho segundo o mesmo teor e simplicidade confiados por Paulo”.

 

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Vales Alpinos

 

De fato, os numerosos cristãos perseguidos, conhecidos pelas diversas alcunhas que lhes atribuiam seus algozes, chegaram, em determinado período, a constituir um testemunho conciso e de vasto alcance (alheio à Cristandade institucionalizada), graças aos escritos pelos Valdenses preservados.De sorte que atualmente, temos ciência de que aqueles círculos de adeptos, congregados em estreitos laços de fraternidade, não comungavam dos conceitos comuns a gnósticos e maniqueus, tal qual propunham seus oponentes romanistas. Antes, primavam pela real ortodoxia apostólica e seu indelével legado.

 

O “Relícário” Doutrinário Valdense

 

A sìntese doutrinária-organizacional valdense pode ser apresenta da seguinte forma:

 

*Da Concepção Cosmogônica: Predestinacionista

 *Do modus vivendi” : Modéstia e despojamento, quer no âmbito secular ou intelectual. (”Conditio sine qua non”)

*Das Escrituras: ênfase as narrativas e parâmetros neotestamentários / exame frequênte, contudo, averso a Teologia Sistemática. 

 *Da Modalidade administrativa: Congregacional (ênfase ao núcleo local)

 *Do Governo e Organização: Dualista (Anciãos e Servidores – “Diáconos”), além de seus “cooperadores” itinerantes.

 *Dos Honorários: Ausência de remuneração ou soldos pré-fixados para o exercício ministerial.

 *Da Liturgia: Breve e desprovida de maiores aparatos.

 *Dos “Sacramentos”: dois, a saber, Batismo e Refeição Memorial (Santa Ceia)

 

 - Da Ministração dos Sacramentos:

 

 BATISMO:  

 

Crítério Básico: conversão (ausência de discipulado sistemático ou, catecumenato)

Faixa etária: Adultos

Ministrante: Ancião

 

REFEIÇÃO MEMORIAL (Santa Ceia)

 

Critério para participação: Batismo

Ministrante: Ancião

Frequência de sua realização: Anual

Forma de distribuição: um só pão e um mesmo cálice.

 

Bem, com o advento da Reforma Protestante, o movimento Valdense (forçosamente) viu-se compelido a converter-se em “instituição” devidamente formalizada. A partir daí, permitiu-se o acréscimo de práticas e conceitos até então incomuns ao seu milenar conteúdo. Elevaram-se templos, sistematizou-se sua tradição predominantemente oral, atribuindo-lhe novas feições e traços, segundo as diretrizes e demais ditames norteadores da Teologia Aplicada. Atualmente, a chamada “Igreja Valdense”, encontra-se atrelada a Aliança Presbiteriana Mundial, e portanto, destituída de seus primitivos diferenciais.

 

Após essa breve digressão, retornemos o eixo temático.

 

Pois bem, Francescon, não obstante, deparando-se com um estado um tanto deteriorado da “epopéia” Valdense, torna-se cônscio de sua história e legados, predispondo-se a resgatá-los em sua íntegra. Deste modo, ao atuar junto a Igreja Presbiteriana Italiana de Chigago, acalenta o nobre propósito de gradualmente reimplementar o “cânon” outrora exequível em todo o Piemonte “Vallois”. Deste áureo empreendimento, resulta a Assemblea Cristiana Italiana di Chicago (em face, sobretudo, da questão imersionista, bem como seu suposto “darbismo”). Por isso, faz-se míster compreender que, por “Assemblea Cristiana”, não se deve pressupor uma denominação religiosa juridicamente respaudada, antes, uma informal referência a um aglomerado (“Assemblea”), pautado em valores ou conceitos eminentemente cristãos (“Cristiana”) .

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Louis Francescon

 ”O Ancião”

 

Uma vez, estabelecendo contato com o célebre “Movimento de Avivamento da Rua Azuza” (Los Angeles), certifica-se acerca da atualidade dos Sinais Apostólicos e sua contemporânea necessidade para o cabal arremate de sua empreitada “restauracionista” (“Pontos de Doutrina e da Fé que uma vez foi dada aos Santos”, Artigo VII). Muito embora, tenha desde sempre, se acautelado ante a iminência de um desvario de cunho “montanista”…

A seguir, em compania de seus colaboradores Giácomo Lombardi e Lucia Menna, segue rumo a América Latina, mais precisamente à Argentina e Brasil, nos quais finca as primeiras estacas ou representações da “Assemblea Cristiana” no hemisfério sul… Tanto na Argentina quanto no Brasil, os congregados passam a apresentar-se como “Reuniti nel Nome del Signore Gesù” (aliás, tal expressão fêz-se visível à entrada de muitos de seus locais de reunião durante todo o seu desenvolvimento inicial). A propósito, a Congregação Cristã  brasileira (à semelhança do que ainda ocorre), dispunha de uma “clientela” teologicamente diversificada, evidenciando-se assim  0 seu potencial de absorção e consequente neutralização. São Paulo, provinham de denominações Históricas ou Clássicas, como o Presbiterianismo, Metodismo, Luteranismo e Batistas (além dos aderentes de origem católica romana).

Não se pode deixar de fazer menção ainda, a “Igreja dos Irmãos”, cujas alianças e influências não foram poucas para com a “Assemblea Cristiana”. Seu diferencial, consistia, basicamente, naquele referente à glossolalia, muito embora tenha-lhe servido de solícita “hopedeira” em não poucas localidades (Canadá, Itália, Brasil… ).

Destaque-se, que a aversão de Francescon ao “institucionalismo eclesial” era de tal modo resoluta que por solicitação sua a “Assemblea Cristiana di Chicago” manteve-se alheia ao “rol” denominacional norte-americano por longo período. Resistia, com igual pertinácia às usuais taxonomias sócio-estatísticas, de maneira que veio a evitar com pontual veemência classificações como “protestantes”,  evangélicos” e, em particular “pentecostais”. Ainda hoje, especialistas diversos hesitam em delimitá-la/territorializá-la  no que concerne à sua situação teológico-doutrinária. Calvinismo Ortodoxo? Arminianismo?  Provavelmente algo distinto. 

De capital importância para a compreensão do “modus operandi” organizacional-administrativo comum à Congregação Cristã  é o episódio a seguir.

Por ocasião do retorno de uma de suas viagens missionárias ao Brasil, Francescon se vê diante um quadro um tanto heterodoxo, sob suas premissas eclesiológicas: uma parcela da Assembléia Cristiana di Chigado, institucionaliza-se sob uma coligação jurídicamente conhecida como Igreja Cristã da América do Norte (CCNA). Diante disso (e demais “desencontros” propriamente teológicos, compreendidos no período de 1914 a 1925), restou-lhe apenas uma alternativa: manter-se leal aos primitivos legados. Doravante, temos a “Christian Congregation in United States” (17 de abril de 1926), regularmente regimentada, enquanto dignitária e perpétua titular do paradigma eclesiológico vigente. O mesmo, pode-se afirmar de sua “côngenere tupiniquin”, a qual, inclusive, alavancou a Obra Evangelistica para além do contexto predominantemente étnico (ítalo-americano). De tal modo que nas décadas subsequentes fêz-se necessária uma pequena adequação quanto ao “distintivo” confessional oficialmente reconhecido. Dada sua expansão extra-territorial, veio a deixar sua anterior condição de “Congregação Cristã do Brasil” para “Congregação Cristã no Brasil”.     

 

Conclusão

 

Conquanto, a anterior “exposição” não pretenda exaurir tão amplo espectro de minúcias e detalhes, propõe-se (sob históricos critérios) a fornecer ao pesquisador uma consistente síntese acerca do tema. De um retrocesso aos Dias Apostólicos e aos refugiados alpinos, passamos por séculos de ininterrupta transmissão doutrinário-identitária, paralelamente ao Cristianismo institucionalizado ou convencional. A Congregação Cristã se  posiciona, pois, como recipiendária de tão augusto Depósito,  desdobrando-se em meio as “intempéries” pós-modernas, a fim de que sua integridade e conteúdo permaneçam tal qual prescritas nos alvores de nossa Era.

 

 

Publicado por: ekklesiachristiana | 21 21UTC outubro 21UTC 2009

Congregação Cristã e Estrutura Administrativa: organização e governo

 

A temática alusiva ao “sacerdócio” cristão, sua primitiva estrutura e critérios eletivos, tem sido causa de relevantes e recorrentes polêmicas, embora não faça jus a tão acirrada porfia. A seguir, algumas averiguações e apontamentos.

 

DAS CLASSES MINISTERIAIS OFICIALMENTE RECONHECIDAS 

Temos disso, uma “súmula” universalmente aceita, inclusive, nos círculos católicos romanos. Assim, segundo as narrativas neotestamentárias (canônicas) os dias apostólicos (séc. I) comportaram exclusivamente DUAS e irrefutáveis classes ministeriais, a saber:

 

* O Presbiterato

* O Diaconato

 

Compunha-se, a primeira de ANCIÃOS (Gr.: presbúteroi – πρεσβυτερος ) e a segunda de SERVIDORES (Gr.: diáconos – διάκονος), embora, cronologicamente, a instituição de ambas encontre-se inversamente situada.

 
Faz-se mister, porém, um breve parêntese acerca das origens do “Presbiterato” – bem como da “Diaconia” – quanto a sua aplicabilidade em períodos pré-cristãos. Ao delegar a organização da primitiva “ekklésia” cretense a Tito, Paulo nada mais faz que reintroduzir ao seio cristão uma modalidade administrativa desde longa data, comum ao contexto semita. De sorte que, com o estabelecimento das sinagogas, o habitual “za·qen”, (ancião tribal ou civil) converte-se em ministro religioso, sendo assistido por um servidor (hb.: “eded”).  Ainda no âmbito veterotestamentário (conforme já verificado por autores patrísticos), a mesma relação dual vem a repetir-se no chamado “Ministério Profético”. Tornou-se, pois, familiar e corriqueiro a todo hebreu a expressão “O Profeta e seu moço” (servo),  instaurando-se, desde então, uma sólida e recíproca co-dependência entre ambos. Já no séc.VII (E.C/d.C), as populações árabes, neo-convertidas ao Islã, reintegram o ancião (ar.: “xeque”) a sua condição de direito, sendo este, auxiliado por servos (ar: “abd”).
 
 
Retornando aos alvores da Dispensação Apostólica, temos na pessoa dos ANCIÃOS cristãos os recipiendários do primitivo legado, aos quais confiara-se ainda  – como incumbência inerente aos seus atributos - o EPISCOPADO (gr.: superintendência, supervisão). Assim, enquanto superintendentes congregacionais (gr.:επίσκοπος), exerciam a continua supervisão eclesial, o que por analogia, remete-nos aos predicados do “pastoreio”. Conclui-se, pois, que as expressões ANCIÃO / EPÍSCOPO – BISPO / “PASTOR”, referem-se a uma só e mesma pessoa. Quanto à expressão “PASTOR”, cabe-nos uma relevante ressalva. O vocábulo assim traduzido (gr.: “poimein”), não faz referência a um “pastor” segundo a concepção atualmente aplicada (distintivo ministerial e/ou título sacerdotal). Atêm-se assim, ao seu componente denotativo ou alegórico. A propósito, as menções a Hebreus, 13:7 / 13:17, deliberada e irregularmente vertidas por “vossos pastores” (gr.: “poimein”), ilustram magistralmente o quadro. A expressão grega originalmente codificada “hegoumenois himón”, designa governo e/ou vigilância, ou seja, dirige-se aos oficiais locais, aludindo às funções ou atividades pelos mesmos exercidas, e não ao distintivo ministerial corrente e aceito (Ancião/Presbítero)… Para fins meramente ilustrativos, recorramos à figura de um professor. Este, não obstante, venha a ser habitualmente classificado como “educador” (função e/ou atribuição), nem por isso foi declarado (por ocasião de sua solene formatura) como “educador”. Ao invés disso, a distinção a ele legalmente outorgada foi professor (título e/ou distintivo). Semelhantemente, as primitivas “ekklésias cristãs” em momento algum (ao longo de todo o Período Apostólico)  elegeram ou ordenaram “PASTORES”, antes,  ANCIÃOS aos quais os afazeres correlatos ao “apascentar” foram regularmente conferidos (“Exortação aos Presbíteros Efésios”- Atos, 20:28 ). Faz-se mister, portanto, uma nítida distinção entre dois estados ou condições diametralmente opostos, a saber, FUNÇÃO ATRIBUTIVA e TITULAÇÃO DISTINTIVA. Quanto às “atribuições” elencadas em Efésios 4, 11 e, equivocadamente aplicadas como argumento refutativo – por não poucas vertentes cristãs – referem-se, ora a pessoa do Presbítero-Epíscopo, ora às diversas modalidades de “karismas” então “em voga”. Não se pode, portanto, afirmar – sob pena de “lesa-hermenêutica” – que a primitiva “Ekklésia” Apostólica tenha, sob quaisquer circunstâncias, designado “apóstolos”, “profetas”, “evangelistas”, ”pastores” e “doutores” (“mestres”) como classe ministerial distinta e, formalmente ordenada. Diga-se o mesmo de uma suposta “Classe de Cooperadores” (ou “Colaboradores”) . Por essa razão, a Congregação Cristã não ousa incorrer no crasso equívoco de ORDENAR (em caráter “sacramental”) aos seus “cooperadores”, mas tão-somente apresentá-los como tal. Visto que, se assim o fizesse, forçosamente teríamos que admitir a figura de PRISCILA como membro integrante no rol dos primitivos “cooperadores” cristãos (Romanos, 16:3)… mas essa, é uma temática à parte.
 
 
 
 

Pedro, “O Presbítero” (I Ped. V, I-IV)

e sua suposta crucificação sob o governo de Nero

 

Quanto à segunda Classe (Diáconos – Servidores), nada há a se esmiuçar visto tratar-se de algo patente a todo e qualquer “doméstico” à Fé Cristã, quer no âmbito protestante ou católico romano. Não raro, contudo, tende-se a polemitizar no tocante ao suposto “Diaconato Feminino”. Tal posicionamento lança mão da personagem neotestamentária Febe (Rom. 16:1), à qual se refere o “koiné” (grego-arcaico) utilizando-se de vocábulo similar àquele aplicado aos Diáconos (gr: διάκονος). Mediante tal fato, não poucos apologetas e hermeneutas patrísticos, avalizaram tal conjectura. Dentre eles, temos:

 

* Justino Mártir, Roma,110-165 d.C.

* Orígenes, Egito/Palestina, 185-254 d.C.

* Ambrosiastro, Roma, séc. IV.

* João de Antioquia, Constantinopla, 347-408 d.C.

* Theodoreto de Ciro, Ásia Menor, 423 d.C


Não nos esqueçamos, entretanto, que Cencréia/Cêncris, consistia basicamente em um porto, cuja situação distava em torno de 12 kilômetros de Corinto… Possivelmente, tratava-se de uma extensão ou “apêndice” da primitiva “Ekklésia” coríntia, cujas peculiares necessidades conduziram o Apóstolo a uma medida um tanto heterodoxa, todavia, emergencial.
 
 
 
 
Estevão, “O Proto-diácono”
 
(martírio)
 
 
 
Ora, considerando-se a ortodoxia predominantemente verificável entre as diversas vertentes cristãs (rejeição ao diaconato feminino), e a substancialidade dos argumentos contrapostos, pareceu adequado à Congregação Cristã contemporânea, estabelecer uma seleta “classe” de mulheres (preferencialmente idosas e/ou viúvas -”inscritas”), para o exercício das atividades caritativas e/ou beneficentes (tradicionalmente associadas ao Diaconato, em sua finalidade primeira – “Servir as mesas”). Tal é o procedimento em vigor, não agraciando-as, contudo, com o “grau” ou titulo de “diaconisas”. Estas coadjutoras diaconais (“Irmãs da Piedade”) atuam em estreita cooperação com o Corpo de Diáconos, estando-lhes, outrossim, sujeitas no tocante as deliberações e demais projetos inerentes às Obras Pias.
 
 
 

 DOS CRITÉRIOS ELETIVOS

Apresentam-se como critérios tradicionalmente acatados em sua canonicidade, àqueles enumerados nas Epístolas Paulinas endereçadas a Timóteo e Tito. Contudo, não se deve erroneamente pressupor que Paulo (entre suas sentenças seletivas), pré-estabeleça (em caráter doutrinário – “conditio sine qua non”) que o ministro cristão venha a contrair matrimônio prévio, para o regular exercício de suas funções. Neste particular, refere-se a matrimônio em caráter NUMÉRICO – opondo-se a poligamia própria do contexto sócio-cultural judaico e mesmo às lascivas práticas então comuns no “ethos” greco-romano. Mas, por outro lado, enaltece o matrimônio e a família como um pré-estágio para uma bem sucedida administração eclesial (I Tim. 3:5)…

 

Ainda assim, e para uma mais detalhada apreciação, dissequemos o fragmento, elencando-o sob duas abordagens:
 
 
Aspectos Negativos 
  
 
Não avarento [ aphilarguros ] – Que não ama a prata.
Não bígamo ou polígamo [ mias gunaikos andres ] – Que seja homem de uma só mulher, com moral inquestionável e imune a suspeitas.
Não cobiçoso [ aischrokerdes ] – Que não deseja lucro vergonhoso, mas prefere ter prejuízo.
Não contencioso [ amachos ] – Que é avesso a contendas, pacífico.
Não dado ao vinho [ paroinos ] – Que não se demora ao lado, na presença ou ambiente do vinho.
Não espancador [ plektes ] – Que não seja colérico, afeito a truculências.
Não iracundo [ orgilos ] – Que não seja “inclinado” à ira, ou de temperamento implosivo.
Não neófito [ aneophutos ] – Que não seja uma “folha nova”, produto de algo recentemente plantado ; inexperiente.
Não soberbo [ authades ] – Que não seja orgulhoso, arrogante, presunçoso…
 
 
Aspectos Positivos    
 
 
Amigo do bem [ philagathos ] – Que ama o que é bom e benéfico (lit.).
Apto para ensinar [ didaktikos ] – Capacitado à transmitissão do ensino.
Honesto [ kalos ] – Decente, decoroso, de bom comportamento.
Hospitaleiro [ philochenos ] – Que ama o estranho, o estrangeiro.
Justo [ dikaios ] – Correto, reto.
Moderado [ epieikes ] – Cordato, gentil, tolerante.
Santo [ hosios ] – Dedicado a Deus.
Sóbrio [ sophron ] – Que tem auto-controle, que seja moderado.
Temperante [ enkrates ] – Com aptidão para frear seus desejos.
Vigilante [ nephalios ] – Homem de mente clara e ordenada/concisa.

 

Resta-nos assim, ponderar, e se necessário reaver determinados conceitos ou conclusões pré-concebidas, à luz de uma averiguação etimológica contextualmente consistente e precisa. 

 

DA PROEMINÊNCIA ORGANIZACIONAL: MODELO PRESBITERAL OU EPISCOPAL?

 

Uma outra questão também correlata ao eixo temático – e responsável por diversas e convenientes lacunas – diz respeito a modalidade organizacional-administrativa vigente no dias primitivos. O governo eclesial caracterizava-se como sendo de ordem PRESBITERAL ou EPISCOPAL? Bem, segundo depreende-se dos textos neotestamentários (canônicos), a proeminência do Presbítero é legítima e intransferível, sendo sua condição inconteste, enquanto depositário da autoridade e legados apostólicos. Destaque-se, porém, que cada “ekklésia” ou cidade era assistida por um “Presbitério” ou Conselho de Anciãos (Atos 14:23 / Atos 20:17…) . Devido a tal constatação, afirmam alguns, que a Congregação Cristã hodierna apresenta uma estrutura organizacional parcialmente diversa daquela: conjectura-se, que nenhum presbítero viesse a dispor de irrestrita primazia sobre a “ekklésia” local, visto que suas prerrogativas ministeriais eram (em similares proporções) aplicáveis aos demais co-presbíteros ou co-anciãos. Conforme já exaustivamente exposto, exerciam, simultaneamente o “episcopado” (superintendência), visto ser esta, uma atividade inerente (ou extensiva) à sua função. Seria, portanto, o EPISCOPADO (enquanto Classe ministerial autônoma e distinta do Presbiterado) uma inovação ou acréscimo pós-apostólico, cujo oficial reconhecimento veio a prevalecer apenas em meados de 150 d.C.? Talvez, não… Basta, nos atermos a duas ou três clássicas citações para que se possa (com pequena margem de erro) pressupor a existência do modelo administrativo “episcopal” ainda em estado extra-oficial ou latente. Vejamos:
 
 
 “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina…”(I Tim. 5:17)

 

Ora, Paulo aí estabelece uma nítida distinção entre presbíteros e presbíteros… Determinados presbíteros (anciãos) deveriam ser duplamente dignificados em seus préstimos e particulares méritos para com a “Ekklésia”.
 
 
 
“E ao anjo da igreja que está em … “(Apocalipse/Revelação)
 
 
 

 Se, acatada como alusiva aos ministros responsáveis pelas “ekklésias” mencionadas, a expressão “anjo da igreja” faz inconteste referência aos primitivos Anciãos, contudo, de maneira restrita a um dentre àqueles que compunham o Presbitério local. Deduz-se, portanto, que as primitivas comunidades apostólicas já atribuíam uma singular notoriedade a um dentre os seus Anciãos “tutelares”.

 

“… ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que PRESIDE, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.” (Romanos, 12:8)
 
 
 
No fragmento anteriormente citado, podemos identificar sem quaisquer complicadores hermenêuticos a figura do Ancião “presidente”, ou seja, àquele ao qual coube a primazia dentre os demais membros do Presbitério local (“primus inter pares”). Aliás, a expressão grega aplicada ao contexto evoca a imagem de um “líder” ou, “àquele que se encontra a dianteira de”… Tais observações, entretanto, não devem (sob quaisquer alegações) ser utilizadas como um subterfúgio para o estabelecimento do Modelo Administrativo DIOCESANO (em detrimento da “ekklésia” LOCAL).
 
Atendo-nos aos Escritos Deuterocanônicos Neotestamentários (Apócrifos), podemos citar Tertuliano (160-230 d.C.), um dos mais célebres apologetas patrísticos. Em sua Obra “Da Vida Comunitária dos Cristãos”, refere-se aos membros do Corpo Eclesial nos seguintes termos:
 

 

“Os que PRESIDEM são Anciãos (Presbíteros) experimentados. Eles obtiveram esta honra não a peso do seu dinheiro, mas pelo testemunho da sua virtude”.

 

***************************************

 

 Vale ainda lembrar, que mesmo o “Presbiterianismo Clássico”, tende a categorizar seus presbíteros, estratificando em DOCENTES (“Presbíteros-Pastores”) e REGENTES (“Presbíteros-Coadjuvantes”).

Por seu turno, a “Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados” – uma das mais tenazes defensoras da proeminência do modelo administrativo presbiteral – costuma atribuir a superintendência (episcopado) aos seus mais experimentados e sobressalentes Anciãos.

Desta feita, ao nos remetermos ao governo eclesiástico e suas modalidades, pode-se seguramente afirmar que um posicionamento inflexivelmente ortodoxo (PRESBITERATO versus EPISCOPADO), nos possa conduzir a uma postura beligerante e contextualmente equívoca.
 
 
 
Publicado por: ekklesiachristiana | 21 21UTC outubro 21UTC 2009

Congregação Cristã e Patrimônio Material: templos ou casas de oração?

 

I – Introdução:

 

Templos: Panorama Histórico

  

Em período consideravelmente anterior a primeiras edificações denominadas “templos” (lat.: “templum”), as populações pré-civilizadas já lançavam os rudimentos daquilo que viria a constituir seus futuros “locus sagrados”. Assim, utilizavam-se os ápices dos montes (“lugares altos”), determinadas árvores (em especial, o carvalho), o interior dos bosques e entranháveis florestas. Nestes, edificavam-se penhas (pedras-altares) e mais tardiamente os totens (bem como obeliscos – Egito).

  

 

Bosques  e  penhas

  

Pedras / penhas rituais 

 

 

 Obelisco egípcio

 

Os templos, propriamente ditos, vieram e despontar em meio às construções residenciais comuns apenas na época em que, ao redor dos locais tradicionalmente destinados ao “culto”, elevaram-se muros (ou muralhas) como medidas cautelares. Contudo, permaneciam descobertos, a fim de que os CÉUS se tornassem plenamente visíveis a partir de seu interior. Tal regra tornou-se aplicável a praticamente todos os povos primitivos, visto considerarem os céus a habitação comum a todos os deuses. A propósito, as divindades primevas foram desde os mais remotos dias associadas aos astros, como se pode observar, sobretudo, entre os mesopotâmicos e balcânicos.

Os primeiros templos vieram a ser erigidos em território mesopotâmico (“Terra entre rios”), mais precisamente em meio aos os sumérios, por volta do IV milênio a.C., alcançando seu apogeu nos dias babilônicos. Os primitivos templos mesopotâmicos, à base de tijolos secos ao sol, eram em tudo simples: quatro paredes e, ao fundo o ídolo titular (a céu aberto). Os mais imponentes templos, todavia, foram edificados sob a administração Babilônica, em forma de zigurates (pirâmides terraplanadas). Entre os mais célebres, encontram-se Marduk, também denominado Esaguil (“casa do teto alto”), flanqueado, ao norte, pela torre em degraus, o zigurate. Este zigurate, chamado “Etemenanqui”, (“templo dos fundamentos dos Céus e da Terra”), alude a “Torre de Babel”, cuja base em quadrado, possuía 91 metros em ambos os planos (horizontal e vertical). A torre mencionada, alvo dos ataques comandados pelo monarca assírio Senaqueribe, foi posteriormente reconstruída por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor. 

 


Zigurate Babilônico

 

Os gregos, por seu turno, esmeraram-se em suas edificações rituais, legando ao mundo ocidental, o “cânon” arquitetônico, predominantemente vigente até os presentes dias.

 

Templo de Diana/Ártemis
 
 (“dos efésios”)

 

 
Ressalte-se, todavia, que tanto uns como outros, limitam-se atualmente a algumas poucas ruínas… Seu esplendor e fausto reduziram-se a vagas lembranças, tal qual as divindades que outrora abrigaram…
 
 
 

Templo grego/Ruínas

 

Zigurate Babilônico/Ruínas

 

 

II – O Templo Veterotestamentário ou Templo de Salomão:

 

Templo de Salomão

 

 

Muito embora “IHVH”, não tenha formalmente reclamado – como prioridade ou condição imposta – a edificação de uma “casa” para sua morada, aprouve a Davi, intentar tal projeto, julgando o Tabernáculo móvel, inadequado ante suas conquistas e poderio bélico.
 

Contudo, dadas as suas flagrantes iniqüidades, não lhe coube o mérito de lançar os bases da futura obra. Salomão, pois, levou a cabo o pretensioso empreendimento. Destaque-se, ainda, que muito do que fora aplicado à edificação do templo dispunha de procedência gentia ou pagã, podendo-se afirmar o mesmo, no tocante ao estilo arquitetônico e demais traços comuns à cultura babilônica. Bem, não obstante, “IHVH” tenha acatado tão majestosa oferenda, não muito tempo depois, passa a demonstar contínuo desapontamento, em face das inúmeras transgressões e generalizadas incontinências, doravante comuns à população judaica.

O primeiro templo é destruído (sob Nabucodonosor). Zorobabel o reedifica (sob Ciro)… Novamente sofre danos, e generalizada deterioração… Herodes I (da Judéia) o reconstrói… Finalmente, em 70 d.C. (segundo predito pelo Divino Mestre) é assolado por Tito, General Romano.
 

 

Tomada de Jerusalém
 

(Destruição do templo por Tito, general romano)

 

 

III – Os primitivos cristãos e seus locais de “culto”
 
 
Sabe-se, segundo evidenciam os textos neotestamentários canônicos, que os primitivos adeptos cristãos, congregavam-se em locais diversos, não havendo (segundo as circunstâncias predominantemente adversas) um “lócus” especificamente determinado para este fim. De tal modo, que o “cenáculo” lhes serviu de provisório abrigo no interstício cruxificação-pentecostes. Também, afluíam às casas particulares e, não poucos ainda mantinham-se assíduos ao templo judeu (Atos 2:46/20:20). Aliás, por determinado período e, em distintas localidades, instaurou-se o modelo eclesial “comunal” (“tudo em comum”), ainda utilizado por alguns segmentos de menor realce no meio protestante, como as “Colônias Huterianas”. Na medida em que o Evangelho propagou-se rumo ao oeste do Império, núcleos familiares adquiriram com intensidade cada vez maior o “status” de “ekklésia” local (Romanos 16: 3-5 / Colossenses 4:15…). Destaque-se ainda, que durante as mais atrozes perseguições romanas, não poucas “catacumbas”, converteram-se em núcleos de refúgio e “culto”. Finalmente, com o advento da Grande Apostasia, ou “Igreja Constantiniana” (séc. IV), surgiram os chamados “templos cristãos” ou, “igrejas auditório” Diga-se de passagem, que muitos desses “templos” utilizaram-se de edificações anteriormente dedicadas às divindades gentias (“pagãs”) ou, fizera-se uso de seus despojos (colunas, mármores, ídolos…)… Daí por diante, o Império supostamente “cristão”, passa a erigir ou ADEQUAR seus templos (ou “igrejas”) em larga escala. Um dos mais memoráveis em sua antiguidade e estrutura é o “PANTEÃO de Agripa”, originalmente dedicado à miscelânea de divindades gentias então catalogadas e, por determinação clerical convertido em “templo cristão”….
 
 
 

Panteão de Agripa

 

IV- A Congregação Cristã contemporânea e suas edificações
 
 
A Congregação Cristã, desde seus primórdios, ateve-se a uma “modalidade doutrinário-organizacional” acentuadamente anti-institucionalizada, em conformidade com as diretrizes e norteadores comuns aos Dias Apostólicos. Por essa razão, Louis Francescon, “O Ancião”, sempre primou pela perpetuação de uma condição eclesial não formalizada, o que implica entre outras coisas, na ausência de nomenclatura e “lócus”. Entretanto, em razão de sua expansão numérica/geográfica, e em sujeição as determinações apostólicas acerca dos deveres para com o Estado, pareceu-lhe adequado restabelecer o original distintivo, universalmente aplicado à coletividade cristã desde os alvores de nossa Era, a saber: “Congregação Cristã” (“Ekklésia Christiana”/ “Igreja Cristã”). Além disso, e como conseqüência imediata, tornou-se premente a aquisição de locais e/ou instalações para a oficial realização de suas reuniões e afins.

 

Assim, da rústica e inexpressiva “sala de oração” provisoriamente erguida no município de Santo Antônio da Platina (Paraná), abrigando aos neo-convertidos locais, deu-se início a uma nova e ininterrupta etapa, caracterizada pela edificação de “Casas de Oração”, devidamente adaptadas às peculiaridades doutrinário-eclesiológicas comuns ao segmento.
 
 
 
Primeira “Sala de Oração”  improvisada
 
Santo Antônio da Platina /PR

 

Ora, partindo-se da premissa de que o Novo Pacto instaura um inédito estágio no âmbito soteriológico, presume-se que determinados “modus operandi” ainda atrelados ao Primeiro Concerto, venham a ser naturalmente suplantados… Tal se dá (entre outros) para com o conceito de “Recinto Sagrado”… O próprio “IHVH” (segundo as descrições supra-citadas / “Templo Veterotestamentário ou Templo de Salomão”) manifestou-se (direta e indiretamente) avesso ao ato de edificar-lhe “casa ou morada”… O simples fato, de haver consentido na quase extinção do derradeiro templo (sob o saque empreendido por Tito, o Romano), já expressa seu desalento… Ademais, emite parecer expressamente censurável em citações como:
 

 

“O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? (Isaias 66:1)
 
 
 
E Paulo, ao deparar-se com os muitos santuários dispersos pela vastidão de Atenas, com veemência declara:

 

 
“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens…”  (Atos 17:24)
 
 
 

De sorte, que a Congregação Cristã atual julgou escrituristicamente improcedente a edificação de TEMPLOS, segundo a acepção milenarmente conferida aos mesmos, isto é, “Morada ou habitação da Divindade” (Gr.:”nauis”). Desta feita, não lhe é próprio atribuir às suas edificações ou prédios a designação habitualmente usual nos círculos protestantes ou católicos romanos, a saber, “templos”, ou ainda “igrejas” (sendo esta última, etimologicamente equívoca – Ver artigo “Etimologia -Ekklésia Christiana”).

Pelas mesmas razões apresentadas, tende ainda a evitar a expressão “Casa de Deus”. Considerando-se, que a clássica citação contida em I Timóteo 3:15 acerca da “Ekklésia” como sendo a “Casa de Deus” remete-se (em sua precisa acepção etimológica) ao caráter figurado ou analógico, depreende-se que o vocábulo grego “oikos” refere-se não ao espaço físico, mas àquilo que se desenvolve “em lar”. Portanto, a tradução mais adequada ao contexto em pauta seria “família” e não propriamente “casa”. É desde longa data sabido, que a tradução efetuada por João Ferreira de Almeida deixa a desejar em inúmeros quesitos. Nesse particular, verte a idéia de FAMÍLIA por CASA (espaço físico), induzindo o leitor leigo a um relevante déficit interpretativo. Não raro, inúmeros preletores “teológicamente” renomados, incorrem em tal despautério, atribuindo a expressão à idéia subjacente a “NAOS” (TEMPLO). O fragmento, pois, alude a “Ekklésia”, Corpo Espiritual (ou “Místico”), no qual o Eterno subsiste na pessoa de seus membros (vide I Pedro, 2:5).

Essa concepção sobremaneira espiritual tornou-se, o diferencial por excelência em toda a Dispensação Neotestamentária, contrapondo-a frontalmente a literalidade comum ao Antigo Pacto. De tal modo, que Paulo surpreendentemente eleva o cristão à condição de “naos”:

 

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”  (I Corintios 3:16).
 

 

Aliás, nada mais faz que reiterar um parecer, subliminarmente emitido pelo Divino Mestre:

 

“Mas ele falava do templo do seu corpo”  (João 2:21)

 

E, respaldando a presente explanação, atenhamo-nos ao fato de que, em contrapartida à Jerusalém terrestre, a Jerusalém Celestial não comportará templo algum:

 

“Nela não vi templo…”  (Apocalipse 21:22)

 

 

V – Casas de Oração: Parâmetros e Configurações

 
 
 

Casa de Oração Central / São Paulo – Capital
 

(destaque para as galerias e tanque batismal ao fundo)

 

Sob a designação oficialmente reconhecida de “Casas de Oração”, a Congregação Cristã têm se dedicado laboriosamente à edificação das mesmas, ao longo deste primeiro século de implantação em território brasileiro. Sua finalidade primeira consiste (conforme já demonstrado), não em abrigar a Divindade ou tê-la como “residente” no referido “lócus”. Aliás, não se acredita que o Ente Divino nela fixe morada, antes, manifeste-se por ocasião das convocações eclesiais (reuniões/ “cultos” e afins). Tem, pois, por escopo, acolher, acomodar e adequadamente distribuir sua “membresia”.

 

Os ditames e parâmetros especificamente direcionados as suas construções primam pela sobriedade e harmonia de traços, pressupondo um espaço minimamente “dispersivo” (sob a óptica sensorial). Pretende-se assim, acautelar-se acerca dos “ruídos visuais”, via de regra, comuns aos estilos arquitetônicos ditos litúrgicos, tais como o barroco. Desta forma, tem-se um ambiente predominantemente “silente” e assaz favorável à introspecção.

 

Muito embora, precavida acerca dos excessos, a Congregação Cristã esmera-se em suas edificações, imprimindo-lhes uma sutil atmosfera de “sereno vigor” ( Neste particular, o aparente antagonismo se faz necessário para fins descritivos…) Quanto às tonalidades cromáticas, predominam o branco, cinza, azul ou tons “pastel” em medidas sobrepostas… Mais um elemento a corroborar com o primordial propósito de se predispor os presentes à espiritual elevação e sintonia.

 

Ao fundo, em negrito (e sob proporcional distribuição), visualiza-se o lema unanimemente reconhecido: “EM NOME DO SENHOR JESUS” (“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” – Colossenses, 3:17 ). Esta deliberação, deu-se via glossolalia e interpretação (“karismas”).

 

Quanto à configuração vigente, nada há de excepcional. Salvo raríssimas exceções (como a “Casa de Oração” Central / São Paulo – capital) o prédio constitui-se de:

 

I- Salão central ou nave (retangular ou quadrado)

 

II -“ Átrio” ou “ * nartéx” da fachada
III – “ Átrio” ou “ * nartéx” laterais (variando entre dois e quatro)

 

IV – Sanitários
 
V – Zeladoria/Residência do Zelador local.
 

Nas “Casas de Oração” “centrais” de cada localidade, costuma-se incluir a “Sala de Assembléias” (“Conselho”), Sala das Obras Pias (Diáconos), além dos tanques batismais e seus respectivos vestiários. Elementos outros, como cozinhas, alojamentos e enfermarias podem ser incluídos segundo as necessidades locais.

* “O termo arquitetônico nártex (do latim “narthex”, e origem grega “narthikas”, (νάρθηκας), refere-se, em sentido lato, à zona de entrada de uma edificação. Também outras designações podem surgir associadas a este termo, como átrio, vestíbulo, galilé” …

 

 

“Casa de Oração” Padrão
 
(átrio frontal longo – atualmente o mais habitual)

 

 

Segundo dados atuais, a Congregação Cristã dispõe de cerca de 19.000 Casas de Oração, distribuídas por todo o território nacional, além de suas congêneres (ou co-irmãs) dispersas pelos cinco continentes. Segundo fontes diversas, calcula-se que a cada dois dias sejam oficialmente abertas três Casas de Oração em solo brasileiro.Além das Casas de Oração “Padrão Universal”, novas modalidades arquitetônicas encontram-se em estágio “probatório” ou de experimentação. A redobrada cautela em relação a tais construções, deve-se, não necessáriamente aos aspectos econômicos ou destes decorrentes, mas sobretudo ao fator IDENTIDADE. As Casas de Oração erigidas pela Congregação Cristã, tornaram-se uma espécie de reflexo da própria instituição, enunciando em sua configuração alguns dos predicados típicos ao segmento. Entre eles, a COESÃO e UNIDADE grupal. Isto posto, preza-se sobremaneira pela manutenção e preservação de tais caracteres. A propósito, a 72ª Assembléia Geral, realizada no ano de 2007, já pontuou tal questão, emitindo parecer deliberativo em caráter oficial (“Construções Suntuosas e Extravagantes” /Tópico XV).
 

 

 

Casa de Oração Central

Curitiba

 

Seja como for (e, tomando-se as precauções cabíveis) algumas capitais, já tem lançado os fundamentos de novos e arrojados projetos na área, como Curitiba, Campo Grande, Goiânia, entre outros… Mesmo cidades de menor porte, como Cascavel, no interior paranaense, tem investido em materiais e estilos até então inusitados.

 

Audacioso e arrojado projeto

(em conclusão)

 

Com relação ao projeto supra-citado (Cascavel, Estado do Paraná), é possivel visualizá-lo com maior precisão (via animação computadorizada) pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=zQfI8QUuTKY

 

Publicado por: ekklesiachristiana | 20 20UTC outubro 20UTC 2009

Etimologia greco-latina: “Ekklésia Christiana”

CRISTO~1

 Primitiva “ekklésia” em sua derradeira prece

(arena romana)

 

Embora, tratando-se de algo absolutamente elementar a todo apologista/apologeta, um breve resgate etimológico, “via de regra”, elucida ou, lança maior visibilidade sobre determinado conceito ou expressão. No tocante ao vocábulo EKKLÉSIA (gr.: εκκλησία) deve-se colocar prioritariamente em relevo a idéia inerente ao signo. Assim, temos (sem maiores digressões – as quais nos poderiam conduzir a uma perda de foco) uma alusão derivativa da preposição “ek”, (que indica origem – o ponto de onde uma ação ou movimento procede), e “kaleo”, (chamado, convocado). “EKKLÉSIA” pode (com as devidas restrições) ser aplicada como correlata à SINAGOGA (heb.: sunagoge), salientando-se, todavia, que está última possui alcance menos abrangente. “Ekklesia” geralmente indica uma parcela de elementos “convocados” mais “seleta” que sunagoge” (Thayer). A EKKLÉSIA grega apresenta-se, pois, como equivalente a QHAL (congregação) véterotestamentária ou judaica. Contudo, não se deve (sob pena de se incorrer em grosseiro equívoco) associar “EKKLÉSIA” à idéia subjacente a “hágios” (gr.: santo, “separado”) ou, por extensão ao seu equivalente hebráico “kadosh”. A esse respeito discorre Hort:
 

 

“Não há fundamento para a noção amplamente divulgada de que EKKLÉSIA ( εκκλησία ) signifique um povo ou um número de indivíduos “chamados para fora” do mundo ou etnia humana ” (F. J. A. Hort, Op. Cit.).

 

 
Há que se considerar ainda, que a “EKKLÉSIA” dos dias apostólicos aludia, sobretudo, a uma “convocação” de caráter civil ou laico, não estando necessariamente atrelada ao “Serviço Sagrado”. Portanto, ao recorrer ao vocábulo em questão, os autores neotestamentários o adequaram ao seu particular contexto, revestindo-o de uma significação até então inusitada .
 

Temos assim, por uma exata correspondência (correlação)  entre idéias e  propósitos  a “CONGREGAÇÃO CRISTÔ (“EKKLÉSIA CHRISTIANA”), em oposição ou paralelamente à “CONGREGAÇÃO JUDÁICA” (ou mosaica). Por “corruptela”, pareceu conveniente a determinados tradutores neotestamentários verter “EKKLÉSIA” por “IGREJA”. Tal expressão, entretanto, obscurece a real acepção da palavra, induzindo o leitor leigo a conjecturas nem sempre procedentes. Além disso, e por condicionamento cultural irregularmente conduzido, passou-se a “ressignificar” a terminologia, atribuindo-lhe a inapropriada idéia de local ou templo (conforme já averiguado e, devidamente pontuado William Tyndale, dentre diversos outros autores reformistas).

 

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